Frei Luiz Carlos Lunardi*
15/12/2016 – O cardeal dom Paulo Evaristo Arns foi um frade que cultivou com profundidade o espírito franciscano. De São Francisco ele herdou a alegria, a ousadia e a proximidade com os pobres.
Dom Paulo seguiu os passos do Apóstolo Paulo, que foi um grande missionário. Com seu modo de ser e agir, tornou-se um exemplo hoje de um verdadeiro cristão.
Acreditou no Concílio Vaticano II como se fosse “um novo começo da Igreja”, novo irromper do Espírito. Dedicado, profético, corajoso e desafiador, dedicou sua vida às causas da Igreja e do Evangelho. Viveu e manifestou profunda sensibilidade com as dificuldades, desafios e mazelas sociais.
Voz ativa na defesa dos direitos humanos, voz dos mais pobres, anunciador da alegria e da esperança.
Poeta, profeta e místico, homem que levou a mensagem de Deus aos homens. Conhecedor e próximo das realidades e dificuldades que a sociedade enfrenta. Com autoridade e atitude propositiva, sempre trouxe luz e promoveu iniciativas de superação destes limites. Assim foi também com a epidemia da aids. Sempre atento, desarmado, de espírito livre, sem estigma, nem preconceito, falou abertamente sobre a doença e agiu na promoção de ações da Igreja junto às pessoas portadoras do HIV e seus familiares.
Estava presente em Itaici, em 2000, quando houve um encontro de lideranças da Igreja Católica que trabalhavam com aids com representantes de organizações da sociedade civil e do Ministério da Saúde. Era a primeira iniciativa a promover o diálogo e a parceria entre estes atores da luta contra a aids. Neste encontro, Dom Paulo Evaristo se pronunciou corajosamente em atitude solidária e defensora das pessoas infectadas com HIV e estimulou a Igreja a contribuir no combate à aids.
Em 1992, foi o Cardeal Arns quem criou a primeira campanha de prevenção às DST/HIV e aids organizada pela Igreja Católica no Brasil chamada de “Aids em Alerta”. No final de cada missa, era apresentada a realidade da aids e distribuído folheto com informações para ajudar na prevenção e na diminuição do estigma edo preconceito pela falta de informação ou por causa de informações equivocadas.
Fica seu exemplo para que toda a Igreja, com seus inúmeros grupos e agentes, continue defendendo a vida, se mantenha engajada nas causas sociais e seja a voz dos menos favorecidos.
* Frei Luiz Carlos Lunardi é assessor nacional da Pastoral da Aids.
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