DIÁLOGOS PERTINENTES – Mario Grieco – Presidente da Bristol – Myers Sqüibb – Médico com pós – graduação pela Universidade da Flórida e mestrado em Ad

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Mario Grieco

É enorme a minha admiração pelo programa brasileiro de Aids, hoje sob a direção do Dr. Pedro Chequer e sua competente equipe, por uma razão simples e objetiva, quando se pensa na sociedade e nos pacientes soropositivos. Trata-se de um programa apaixonante em todos os níveis de sua execução e eletrizante na forma como toma decisões em favor da causa maior que é a aplicação das políticas públicas para Aids no país. Razão que nos leva a conceder os maiores descontos mundiais em preços internacionais e a fretar um avião com um carregamento exclusivo e de emergência de atazanavir, como fizemos recentemente.

Mas chama especial atenção a forma como o governo vem orientando e conduzindo o diálogo com as empresas e seus dirigentes na questão do fornecimento dos medicamentos anti-retrovirais, numa postura mais gregária e mais focada na solução dos problemas de natureza terapêutica. E nessa questão a Bristol-Myers Squibb é um exemplo de convivência pacífica com o Ministério da Saúde e junto à Coordenação do programa de Aids em particular, porque atuamos com foco na melhor continuidade do programa brasileiro e na permanente melhoria na qualidade de vida dos pacientes.

A Bristol forneceu medicamentos para o coquetel anti-retrovrial em meados de 1990 e voltou novamente a fazê-lo a partir do ano passado, trazendo uma tecnologia inovadora ao tratamento então disponível, feito esse celebrado pela classe médica e pacientes por conta dos inúmeros benefícios que a nova descoberta trouxe aos soropositivos.

Em nosso retorno ao Governo, adotamos uma postura que, como brasileiros, acreditamos ser a mais correta, que é a do diálogo franco, construtivo e engrandecedor, para que os objetivos do Ministério, dos pacientes e da empresa fossem alcançados. O Governo tem idéias, a Bristol tem idéias e a sociedade colhe soluções. E assim convivemos.

É fato que sem a irrestrita cooperação entre as empresas de pesquisa farmacêutica e os órgãos de Governo, no campo das doenças crônicas e oportunistas, os controles da Aids e da hepatite, para ficarmos em dois exemplos, estariam muito mais distantes das populações que mais necessitam de acesso às novas descobertas da indústria. E repensar um novo modelo na relação entre governo e empresas passa pela compreensão de que o hiato que se estabeleceu no passado não é exemplo de boa prática para a consolidação de metas e de desenvolvimento social.

A enorme a quantidade de soropositivos que estão no mercado de trabalho e no exercício de suas profissões como cidadãos comuns, exercendo a liberdade e a cidadania que lhes é assegurada pelo Estado, representa a força motriz capaz de colocar governos e empresas do mesmo lado, na mesma luta. Nunca em lados opostos porque o inimigo comum é um vírus ainda cercado de muita ignorância sobre seu efeito devastador.

O diálogo, sempre o diálogo, é a mais poderosa arma a unir ONG’s, pacientes, Governos e empresas para o objetivo permanente do resgate social. Porque transforma uma doença que antes era vista como terminal e discricionária, em ato de livre e salutar convivência nos mais diversos ambientes e classes sociais por onde a aids se espalha.

Mario Grieco, presidente da Bristol-Myers Squibb é médico com pós-graduação pela Universidade da Flórida e mestrado em Administração de Empresas. mario.grieco@bms.com

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