Eduardo Lima*
28/07/2017 – Na véspera do Dia Mundial da Luta Contra as Hepatites Virais (27/07) o Ministério da Saúde informou que a partir do primeiro semestre de 2018, os pacientes terão acesso ao tratamento independentemente do estado em que se encontra o fígado.
Na atual diretriz, apenas os pacientes com grau F3, F4, ou F2 infectado também por HIV tinham acesso.
A partir de 2018, abrem-se horizontes para todos os infectados fazerem uso da medicação moderna, com altíssimos índices de eficácia e com praticamente nenhum efeito colateral.
Esta notícia é há muito tempo esperada, pois a ABPH (Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite) e muitas outras associações tem se empenhado em realizar testes rápidos para detecção de portadores, pois a Hepatite C é silenciosa e é a mais grave de todas as hepatites que conhecemos.
Quanto mais cedo o tratamento menor o sofrimento do paciente que se angustia com a situação de ser um portador do vírus, sem sintoma, mas com a perspectiva de a qualquer momento apresentar uma piora no quadro.
Lembremos que mais de 75% dos casos de câncer hepático são decorrentes da hepatite e mais de 80% dos transplantes hepáticos também o são.
Precisamos encontrar estas pessoas que caminham pela vida com o vírus sem saber. Precisamos orientá-los, acolhê-los, encaminhá-los para o tratamento e para a cura.
Temos no Brasil um dos mais inovadores a abrangentes programas de Hepatites além das IST (infecções sexualmente transmissíveis) e HIV. Com esta boa nova do aumento da abrangência da oferta de medicação, o Brasil assume a ponta no tratamento gratuito oferecido à população. É de se louvar e agradecer as autoridades sanitárias que tiveram a sensibilidade de tomar essa corajosa decisão, que certamente terá um impacto tanto na saúde quanto no orçamento do ministério. Mas essa é uma causa justa, merecedora desta decisão, pois é muito crítico diagnosticar e não tratar um paciente. Chega a ser cruel dar a notícia de que ele está infectado, mas não pode ser tratado, pois o preço para o público destas drogas novas é insuportável para uma pessoa física. Somente dentro de um programa de estado é possível tratar.
Temos muito a caminhar, pois dos 2 milhões de infectados, menos de 15% estão diagnosticados e menos de 10% são tratados.
Agora, mais do que nunca a ABPH se sente estimulada a realizar mutirões de testagens como a que está sendo feita agora, não só em São Paulo, mas no Brasil todo.
Só na capital foram 17 pontos de grande circulação, tais como Poupatempo, estações do metrô e os terminais rodoviários.
Esperamos com esta ação coordenada pela ABPH, dentro do Programa Hepatite Zero, encontrar mais de 1.000 portadores silenciosos e que agora com certeza terão acesso aos medicamentos e serão curados.
Estamos convencidos que é possível erradicar as hepatites com um conjunto bem ordenado de medidas sanitárias, campanhas de testagem e de orientação, insistência no uso de preservativos para uma vida sexual saudável, segura. Agora o acesso irrestrito ao tratamento não é mais uma quimera, é realidade. Não é mais um sonho, é o resultado de muitas vozes, de consultas públicas e também da opinião da classe médica.
A Organização Mundial da Saúde já estabeleceu que até 2030 é possível erradicar as hepatites e a ABPH tem orgulho de exercer um papel importante, realizando mutirões bem como atendendo portadores gratuitamente nas clínicas oferecendo a Elastografia a eles como mais um atalho para complementar o protocolo de tratamento.
Estamos vivendo momentos históricos nesta luta, que não para por aqui, não para enquanto houver um cidadão vivendo com o vírus à espreita.
*Eduardo Lima é coordenador do Programa Hepatite Zero, gerente de Projetos da ABPH.
Contato: eduardo@abph.org.br
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