DEUS NOS CRIOU LIVRES E NOS QUER FELIZES: USE CAMISINHA! – Dulce Xavier é e coordenadora de Comunicação da ONG Católicas pelo Direito de Decidir
c

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Dulce Xavier

A simbologia dos primeiros tempos do cristianismo era
repleta de representações prazerosas e de uma vida plena como
trigo, uvas, peixes. Relembrar estes símbolos de vida, assim
como retomar textos como o de João, que afirma que Deus veio
para que todos tivéssemos vida, e vida em abundância, em
plenitude, na semana do Dia de luta contra AIDS é muito
importante. Deus deu tanta importância para às experiências
humanas que se fez presente no meio de nós pela presença de
seu filho, humano, com todas nossas dores e prazeres.

A afetividade e as relações que incluem a vivência da
sexualidade são experiências humanas e, portanto, divinas.
Viver esta nossa dimensão natural de forma saudável,
preservando a própria saúde e das pessoas com quem nos
relacionamos é um gesto de amor à vida do próximo. Usar
camisinha masculina ou feminina não protege apenas da AIDS,
protege de outras doenças também graves como sífilis,
condilomas, que são causados por um vírus conhecido como HPV e que
pode se transformar em câncer, se não for tratado. Além disso,
o uso do preservativo, ainda, permite o controle da
fertilidade, evitando a gravidez não planejada.

Na contramão da maioria do pensamento das pessoas,
algumas hierarquias religiosas ainda prestam o desserviço de
desaconselhar o uso do preservativo, entre elas a da Igreja
Católica, que numa postura arcaica ainda coloca em dúvida a
contribuição da ciência.

Não há porque duvidar da ciência que, representada pela OMS
(Organização Mundial da Saúde), reitera o uso do
preservativo como o único método comprovadamente eficaz para
previnir o risco de infecções sexualmente transmissíveis,
inclusive o HIV/AIDS.

A luta do movimento de mulheres pelos direitos sexuais e
reprodutivos e, mais especificamente, o trabalho feito em
relação ao combate à Aids, é, cada vez, presente e
necessário. Acreditamos, como católicas, que estar nessa luta
é expressar nosso compromisso cristão. Por isso esta é uma
das nossas principais bandeiras.

Outra preocupação que temos é sobre o perfil das pessoas
infectadas. O rosto da Aids é cada vez mais jovem e feminino,
afirmou esta semana relatório do Programa Conjunto das
Nações Unidas para HIV/Aids, o Unaids. Notícia que nos faz
pensar em ampliar as formas de ação dos grupos envolvidos
nessa luta. Em princípio, a epidemia de HIV afetava
majoritariamente homens que tinham relações homossexuais e
depois consumidores de drogas intravenosas em nível regional,
segundo o último relatório da Unaids. Atualmente, de acordo
com o organismo, as mulheres já são quase metade dos 37,2
milhões de adultos vivendo com o vírus HIV e a proporção vai
para 60% na região da África Subsaariana.

O Brasil possui um terço dos portadores do vírus na América Latina.
Diferentemente do que é pregado pela Igreja Católica o
casamento não é um porto seguro em relação à doença. Na sub-
região do Cone Sul foi registrado um aumento de casos de Aids
por transmissão heterossexual. A Aids avança entre mulheres,
jovens, casadas e negras.

Para o combate da epidemia é necessário uma ampliação da
atuação dos grupos de mulheres em comunhão com o de jovens,
que lidam com a temática dos direitos sexuais baseados no
poder de escolha da e do jovem decidirem sobre suas vidas,
sobre o próprio corpo.

Nós, como católicas, apoiamos tal princípio e acreditamos que as
pessoas têm autonomia e liberdade de decidir como dirigir
suas vidas. Acreditamos, ainda, que a diversidade e o
pluralismo que marcam as relações familiares contemporâneas,
baseadas em idéias democráticas, na vivência da sexualidade
de forma livre, como garantia de uma vida plena e digna, sem
culpa, tornam-se fontes para a criação de valores em um
mundo que se deseja mais tolerante e feliz.

Dulce Xavier é socióloga e coordenadora de Comunicação da CDD/ Brasil (Católicas pelo Direito de Decidir)

E-mail: cddbr.dulce@uol.com.br

Apoios