DESAFIOS NO CONTROLE DA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV – Zarifa Khoury é coordenadora da área de Assistência do Programa Municipal de DST/Aids de SP

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Dra. Zarifa Khoury

Médica e coordenadora da área de Assistência do Programa de DST/Aids do município de São Paulo

Vinte e quatro anos após a descrição do primeiro caso de Aids, temos como panorama uma epidemia mundial que mostra um número estimado de 40 milhões de pessoas infectadas pelo HIV. Praticamente metade desta população é constituída por mulheres jovens e um número crescente de crianças infectadas por Transmissão Vertical (TV) do vírus (da gestante para o bebê na gravidez, parto ou amamentação).

No Brasil, até a metade dos anos 80, a epidemia de HIV/AIDS concentrava-se entre os homossexuais masculinos, de escolaridade elevada. Entre 1987 e 1991, a infecção do HIV começou a crescer entre os usuários de drogas injetáveis. A partir de 1992, a percepção de que qualquer indivíduo é vulnerável ao HIV ampliou-se, com seu crescimento entre heterossexuais que passaram a representar 55% das pessoas vivendo com Aids.

Com esse novo grupo de indivíduos acometidos pelo HIV, a epidemia atingiu as mulheres, caracterizando o processo de feminização da doença com quase 50% dos casos notificados no município de São Paulo. Essa mudança no perfil epidemiológico da Aids, atingindo mulheres heterossexuais em idade fértil, trouxe um novo componente ao quadro: a Transmissão Vertical, principal via de infecção da população infantil, responsável por cerca de 90% dos casos notificados de Aids em menores de 13 anos.



Com base nesta situação, o controle da Transmissão Vertical passou a ser uma das prioridades do Programa Municipal de DST/Aids. Nos últimos anos, os profissionais de saúde da rede básica foram treinados para atendimento à gestante – da oferta do teste de HIV e Sífilis ao acompanhamento e encaminhamento necessários. O fluxo com os laboratórios foi agilizado para a garantia de diagnósticos precoces. E a integração das unidades especializadas de DST/AIDS e Maternidades foi reforçada para assegurar a adoção das medidas profiláticas no parto e junto ao bebê, bem como a oferta e realização do teste rápido junto às gestantes não acompanhadas durante o pré-natal. Um importante investimento foi feito também na área de Vigilância Epidemiológica, para o aprimoramento das informações sobre a Transmissão Vertical no município de São Paulo.

Para assegurar o controle da Transmissão Vertical na rede pública e envolver nesse esforço conjunto a rede de saúde conveniada e privada, várias parcerias e pactos foram estabelecidos com o CREMESP – Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo, com sociedades de especialistas (obstetras, ginecologistas), universidades e outros setores da sociedade civil. A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo elaborou um fluxograma que contempla todos os passos necessários, desde a obrigatoriedade do oferecimento do teste HIV no pré-natal e o encaminhamento imediato da gestante para a Unidade Especializada até as medidas profiláticas junto ao bebê.



Os dados de Transmissão Vertical do HIV que o município apresenta hoje são animadores. De 2001 para 2004, houve uma diminuição no número de casos de Transmissão Vertical de 7 para menos de 2% (percentual considerado como o tecnicamente viável de ser alcançado com a tecnologia existente atualmente) e osdados preliminares de 2004 estão em torno de 1%. Os resultados são positivos, mas queremos reduzir ainda mais este percentual a zero e assegurar o seu controle. Ao mesmo tempo, outros desafios se colocam.

Sabemos que o preservativo é o método mais seguro e eficiente para evitar a transmissão do vírus HIV, mas ele, isoladamente, não assegura a contracepção. Ao mesmo tempo, há a decisão ou o desejo de engravidar apresentados por muitas mulheres ou casais soropositivos ou sorodiscordantes. Esta situação, aliada à tecnologia existente, nos coloca novas possibilidades e tarefas.


Além do aconselhamento para o planejamento familiar e para a proteção contraceptiva dupla que diminua o risco de gravidez indesejada, é de fundamental importância a orientação para as mulheres ou casais que estão decididos por uma gravidez. Isso ajuda a diminuir o risco de infecção da criança ou de re-infecção da mãe ou do parceiro. Somente o acesso ao aconselhamento e à informação podem oferecer condições para a prática do sexo seguro e para a tomada de decisões conscientes que melhorem a qualidade de vida da gestante soropositiva e de seu bebê.



Coordenação Municipal de DST/AIDS de São Paulo
Telefone: (0XX11) 3218-4121
E-mail: zkhoury@prefeitura.sp.gov.br

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