Depois das últimas noticias da semana. Robinson Camargo é gerente do SAE Betinho em São Paulo

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Por Robinson Camargo

Acabo de receber notícias alvissareiras do Asteróide B612, onde, dizem seus habitantes, que nesta década a aids e o HIV estão com os dias contados. Enfim, venceram esta pandemia apoiando-se no binômio diagnóstico-tratamento precoce. Até onde pude entender o SUSA (sistema único de saúde do Asteróide) funciona às mil maravilhas e sua população comporta-se exatamente como seu Príncipe manda, afinal, os “asteroidianos” são seres bem previsíveis.

Já aqui no planeta Terra as coisas não funcionam assim. Terráqueos, ô raça! Não fazem nada que os técnicos, em sua sabedoria soberba mandam, estão sempre querendo inovar, papai-mamãe? Qual nada, kamasutra; pouco dinheiro? Enlouquecem atrás de algum prazer (bebem, fumam, drogam-se…), a coisa tá feia? Mentem.

No horizonte do nosso planeta desenha-se um panorama nada animador, Europa e EEUU entrando numa crise preocupante, só na Grécia houve um aumento escandaloso de suicídios, usuários de heroína, DST, aids, prostituição e por aí vai… Na África, miséria e conflito fazem parte do dia a dia. Na China? Ah! A China; não sabemos absolutamente nada. No Brasil, a UNICEF diz que 1/5 (20%) dos adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola, portanto, o futuro destas pessoas não será dos melhores e ainda enfrentamos (força de expressão!) outra epidemia, a de crack, e não sabemos nem por onde começar. Nem vou citar o Oxi e a prostituição Infanto-Juvenil. A parte isso, o mundo e o Brasil estão indo muito bem.

Amanhã quando voltar a falar com o Diretor- principesco do B612 vou dizer que os invejo, pois no começo da epidemia eles já formaram suas primeiras turmas de prevenção, e nós aqui levamos 30 anos para formar a primeira. Lá, eles indicam tratamento o mais cedo possível, aqui só depois que se sai do ministério, por tanto, andamos a passo largo para também mandarmos o HIV/aids para o beleléu. Oxalá, que as distorções do espaço-tempo, que fizeram as coisas acontecerem tão rápidas, por aqui, se mantenham.

Ah! Também não posso esquecer que amanhã vou pedir a minha enfermeira que fale com o doutor pra aumentar a dose do meu Haldol, pois tenho visto e ouvido cada coisa ultimamente… E depois o maluco sou eu.

Robinson Fernandes de Camargo é gerante do SAE Betinho.

Formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba em 1985, Dr. Robinson começou a atender pacientes com HIV e aids em 1989. 

Em 1991, ele e a psicóloga Maria Cristina Abbate, hoje assessora especial do Secretário Municipal de Saúde de São Paulo, coordenaram a criação do 1º ambulatório de Atendimento especializado em HIV/Aids da Prefeitura de São Paulo, no bairro do Sapopemba. Em 1992, o serviço ganhou um hospital-dia e assistência domiciliar especializada e, em 1994, um hospital-dia para pediatria.

Esta unidade passou a integrar a rede de Serviços de Atendimento Especializado em DST/Aids, ganhando o nome de SAE Herbert de Souza ou SAE Betinho.

Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Aids são de inteira responsabilidade dos colaboradores e não expressam obrigatoriamente as opiniões desta agência.

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