CTAs – 30 anos prestando serviços à população. Maria Clara Gianna é coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de SP

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Por Maria Clara Gianna

Com objetivo de implementar as ações dos CTA (Centros de Testagem e Aconselhamento) no estado, tendo em vista o contexto de epidemia concentrada, a ampliação do cardápio preventivo e o direito ao acesso e uso destas estratégias preventivas por parte da população exposta, a Coordenação Estadual de DST/Aids de São Paulo, em conjunto com os GVE (Grupos de Vigilância Epidemiológicas) e Secretarias Municipais de Saúde, promoverá o III Encontro de CTAs do Estado. Este evento será realizado em Araçatuba nos dias 4 e 5 de setembro, e no município de São Paulo nos dias 11 e 12 de setembro.

O primeiro CTA do estado foi criado em 1989, no início da epidemia. Na época, apesar de não haver tratamento, conhecer o diagnóstico era fundamental para adoção de medidas de prevenção. Hoje, 30 anos depois, a testagem continua sendo essencial para a oferta do tratamento em tempo adequado às pessoas vivendo com HIV/aids. Adicionalmente, com a incorporação das estratégias de tratamento como prevenção, a realização do diagnóstico precoce da infecção pelo HIV ganha nova e fundamental importância também do ponto de vista da saúde pública.

Hoje, o Estado de São Paulo conta com 130 CTAs em 109 municípios, entre eles 105 são prioritários para o controle da aids no estado (72% destes contam com um CTA). É importante destacar que há municípios com CTA em todas as regiões do estado e que 73% destes estão em unidades assistenciais, sendo que dentre estes, 73% estão inseridos em Serviços de Assistência Especializada (SAE). Entre 2007 e 2013 foram implantados 49 novos serviços, o que ampliou a rede em 46%.

Entre 1995 a julho de 2012, os CTAs do estado realizaram 727.695 testes (HIV, sífilis, hepatites B e C), com 21.712 soropositivos ao HIV. Neste conjunto de exames realizados nos CTA a proporção de testes reagentes para HIV está muito acima da esperada para a população em geral (0.6%). No total a prevalência é de 2,3%, sendo 1,6% entre as mulheres e 4,1% entre homens. Entre os homens é importante ressaltar que na população de homens que fazem sexo com homens os exames atingem 13,1% de resultados reagentes para o HIV.

Ao longo do tempo, não apenas o número de CTAs foi ampliado. O cardápio de exames também foi diversificado. Hoje oferta-se não apenas HIV, mas também sífilis e hepatites B e C. Em 95% dos serviços a população dispõe destes testes em sua modalidade convencional, em 4% deles oferta-se exclusivamente a testagem rápida. Em contrapartida, apenas 5% dos CTAs, seis serviços, ainda não ofertam testes rápidos. Mais da metade (69%) já ofertam os quatro testes rápidos disponíveis: o diagnóstico de HIV pelo método rápido e as triagens de sífilis, hepatites B e C.

Além de exames, os CTA ofertam insumos de prevenção: preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante e kits de redução de danos para uso de droga injetável. Entre os CTAs do estado, 79% disponibilizam preservativos masculinos e femininos e gel lubrificante; 15% inclui também o kit de redução de danos para usuários de droga injetável.

A partir de 2010, a Coordenação Estadual de DST/Aids começou a investir na implantação de Profilaxia Pós Exposição Sexual (PEP sexual) no estado. Hoje, 61% dos CTAs incluem orientação e realização da PEP sexual em seu rol de ações preventivas; 33% já incluíram as orientações à população atendida e apenas 6% referem não orientar nem realizar a PEP sexual atualmente. Além disso, 75% dos CTA realizam o tratamento de DST, 73% incluem atendimento a travestis e transexuais. Trata-se de um serviço estratégico na captação e atendimento da população mais vulnerável (gay, travesti, transexual e demais homens que fazem sexo com outros homens; profissionais do sexo, usuários de drogas), reduzindo com isso sua possibilidade de infecção.

Além do acolhimento e do compromisso com o cuidado das pessoas mais expostas a infecção pelo HIV, os CTA têm desempenhado um importante papel na implantação dos testes rápidos nos municípios. É destes CTA que provêm os 300 multiplicadores de teste rápido disponíveis no estado, responsáveis pela capacitações dos profissionais da rede de atenção básica que agora estão implantando os testes de HIV, sífilis e hepatites B e C.

Para mais informações sobre o III Encontro de Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Estado de São Paulo, acessem: www.crt.saude.sp.gov.br.

Maria Clara Gianna é coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo

Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Aids são de inteira responsabilidade dos colaboradores e não expressam obrigatoriamente as opiniões desta agência.


Apoios