Toni Reis
Entre os dias 3 a 8 de agosto, o México sediou a 17ª Conferência Internacional de Aids, reunindo em torno de 20 mil pessoas. Foi uma das maiores conferências que já teve.
Antes da Conferência foi realizado o 1º Encontro Latino-americano e Caribenho da GALE (Global Alliance for LGBT Education – www.lgbt-education.info) que é uma organização que se dedica ao combate da homo/lesbo/tranfobia através da educação. No Encontro foi formada a Regional da GALE da América Latina.
Também tivemos a reunião de 500 gays e outros HSH reunidos no Fórum Global sobre HSH e HIV, cujo lema era “Os homens invisíveis: Gays e outros HSH na Epidemia Global do HIV” (www.msmandhiv.org). No dia 2 de agosto houve a grande marcha internacional contra a homofobia com a participação de representantes de 180 países.
Esses três grandes eventos paralelos à Conferência, através de bastante organização e toda uma reivindicação, deram o tom da Conferência Internacional de Aids. Na abertura todos falaram sobre a questão da homofobia e a falta de investimento nos países para as comunidades de gays, pessoas trans e outros HSH, assim como outras minorias.
O Secretário Geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki-Moon, falou sobre isso. Presidente Calderón do México foi enfático em afirmar que a homofobia tem que ser erradicada . Peter Piot, Diretor Executivo do UNAIDS – que também participou da marcha internacional contra a homofobia – também foi muito enfático, falando que na América Latina a comunidade de gays, trans e outros HSH é 19 vezes mais propensa a ser infectada em comparação com a população em geral e que, por exemplo, no México 57% dos casos de Aids são na nossa comunidade.
Na América Latina, muitos países, inclusive o Brasil, o investimento é pouco comparado com o número de casos de infecção pelo HIV/Aids. Isso também corrobora com dados do próprio Programa Nacional, que coloca que menos de 3% do valor dos PAMs destinados à prevenção são investidos em ações voltadas para gays, outros HSH e travestis. Neste sentido é fundamental a organização competente e profissional para que façamos o controle social rígido das políticas públicas para a nossa comunidade. O destaque dado ao combate à homofobia pela Conferência é uma prova que com a organização é possível promover avanços.
Participei de uma mesa na qual foram colocados outros avanços, por exemplo, que nos últimos 10 anos Equador, Chile, Nicarágua e Panamá conseguiram revogar a legislação que criminalizava a homossexualidade. O presidente da Costa Rica decretou dia 17 de maio como o Dia Nacional Contra a Homofobia. Uruguai, a cidade de Buenos Aires e a Cidade do México hoje têm lei que garante a união civil de fato. Bolívia, Colômbia, Equador, Argentina, Uruguai já têm leis que proíbem a discriminação por orientação sexual.
Por meio de toda uma articulação durante a Conferência da Aids, concomitantemente à 5ª Conferência Regional da ILGA, a ser realizada em Curitiba na última semana de setembro de 2009, também haverá vários eventos pré-conferência, incluindo o 1º Fórum Regional para políticas de HIV/Aids para gays, outros HSH e travestis. A semana terminará com a primeira parada internacional da América Latina e Caribe.
Nesse sentido, temos sim muita homofobia, muita Aids em nossa comunidade, mas nós temos que pegar todo esse diagnóstico e de forma profissional fazer o advocacy para que consigamos deter esta epidemia em nossa comunidade e também criminalizar a discriminação homofóbica de uma forma muito competente e justa.
Toni Reis é Presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros).
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