COMUNICAIDS: OPORTUNIDADE DE REFLETIR SOBRE COMUNICAÇAO DENTRO NA LUTA CONTRA A AIDS – Liandro Lindner – Jornalista e Diretor do GAPA / RS

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Liandro Lindner, jornalista e diretor do GAPA/RS


A importância da comunicação como ferramenta estratégica para ações de saúde e, mais especificamente na luta contra a ampliação da epidemia da Aids e na garantia de qualidade de acesso as pessoas soropositivas, foram um dos tópicos discutidos durante o Comunicaids, seminário que ocorreu em Recife e que reuniu dirigentes de ONGs, jornalistas, estudiosos do assunto e outros especialistas.

Falar em comunicação, no contexto da saúde publica, é falar de praticas e formas comunicacionais especificam. A epidemia da Aids, ao trazer a tona assuntos considerados tabus, inaugurou uma fase nova da comunicação em saúde levando comunicadores a refletirem sobre suas estratégias e criando uma oportunidade rica e difícil de se tentar estabelecer um contato entre estes dois universos.

A comunicação é uma das áreas em que o controle social não tem ainda uma influencia consistente e marcada. Discutir as formas com que os processos comunicacionais se dão em nosso país é discutir a forma de democracia que temos e queremos. Quando se fala em comunicação social no campo da saúde, as barreiras crescem e as dificuldades aumentam. Não se tem linhas de atuação definida, nem estratégias claras, nem ao menos discussão politicamente balizada para isto. Fazer controle social na área da saúde publica é, também, exercitar os processos políticos que temos.

Em 1989, uma das maiores lideranças do movimento de ONG/Aids, chamado Herbert Daniel, já vaticinava: “Ninguém poderá escrever a história da epidemia de Aids, no Brasil, sem recorrer ao noticiário da imprensa. Alguns autores dizem que a Aids chegou ao Brasil antes da Aids, ou seja, chegaram primeiro as enfumaceis, pelas notícias, ou seja, pela imprensa e depois a doença.

Sem a mídia a Aids jamais seria assunto nacional. Foi dando voz aos atingidos, dando visibilidade às ações e através do engajamento dos diversos atores que o assunto chegou ao lar da grande maioria dos brasileiros. Mas isto tudo só aconteceu graças ao perfil dos primeiros atingidos, pessoas com alto poder aquisitivo, com capacidade de serem ouvidos e com força para angariar parcerias e chamar atenção. Se o atual perfil hoje da Aids, fosse o do inicio da epidemia, a história seria outra.

Nesta luta todos são importantes: ativistas, atores governamentais, pessoas engajadas, mídia, sociedade em geral. Somente com um comprometimento amplo que poderemos promover a verdadeira “responsabilidade social” que tem na solidariedade, e não na culpa, a sua base. Neste aspecto a mídia, como caixa de ressonância das questões sociais, tem uma responsabilidade maior e uma dificuldade acentuada, pela própria natureza que o trabalho de comunicação esta inserido, como mercado que tem na lógica do consumo e do lucro sua base.


Não é uma tarefa fácil para todos nós, mas não podemos deixar de semear um pouco de esperança, “mesmo na desesperança” como diz Edgar Morin. A sociedade anda conforme os passos dos que fazem a história, façamos nós todos um pouco e estaremos promovendo também a história.


Liandro Lindner, Jornalista e Diretor do GAPA/RS

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