28/02/2017
Por Francisco Angelo *
O Carnaval entrou em minha vida quando eu ainda era garoto. Com sete anos de idade, meu avô me levou para conhecer os desfiles em São Paulo, no Anhembi, e toda magia dessa festa popular. Desde então, o Sambódromo virou praticamente minha segunda casa e o Carnaval nunca mais saiu de minha história. Em 2003, ganhei a primeira fantasia para desfilar na escola Mocidade Alegre. A ansiedade e o frio na barriga tomaram conta de minhas emoções. Não decepcionei nem a mim mesmo e nem ninguém. A chuva, sempre presente nos desfiles da maior metrópole da América Latina, caiu forte. A escola entrou na avenida e todos os integrantes sambaram com água nos joelhos e foram até o fim do tempo reservado à apresentação.
No ano seguinte, o grupo de teatro Sete Faces, do qual eu fazia parte, encenou “Macunaíma”. Por coincidência, o carnavalesco Anderson Paulino, da escola Leandro de Itaquera, acompanhou uma das apresentações, gostou do que viu e convidou os integrantes do grupo para fazer o mesmo espetáculo em um carro alegórico no desfile da escola. O sucesso, o ineditismo e a repercussão foram imediatos. Uma das diretoras da escola Império de Casa Verde resolveu me convidar para uma nova performance. Desta vez, além de encenar num carro alegórico, ousei e criei uma coreografia para três carros. Um deles, inclusive, trazia pessoas com deficiência auditiva. A escola ganhou o Carnaval de São Paulo.
O iniciante folião inocente e despretensioso logo percebeu que o "bichinho do samba" havia se instalado em seu coração e corria em suas veias. Em 2006, recebi uma proposta da escola Tom Maior. Por lá permaneci durante quase 11 anos. Coreografei passistas em carros alegóricos, integrantes da bateria. O momento mais marcante foi quando sugeri um enredo e consegui emplacar. Em 2013 a agremiação trouxe para a avenida a história dos preservativos e a importância de se prevenir.
Faz tempo que o poder público distribui camisinhas e faz campanhas de prevenção. Mas na Tom Maior aconteceu a criação de um enredo falando exclusivamente sobre prevenção. Trouxemos a necessidade de se falar em prevenção, de levar camisinha para onde o samba acontece e a comunidade se expressa. Um marco.
Neste ano de 2017 a campanha lançada pelo Ministério da Saúde teve como foco incentivar o uso de preservativos entre os jovens. “No Carnaval use camisinha e viva esta grande festa”, incentivou o governo. A vulnerabilidade da população jovem chamou atenção porque uma Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas indicou queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos. As informações sobre a pesquisa estão na página do Departamento de Aids do Ministério da Saúde.
Na última década, os casos de HIV/aids em jovens de 15 a 24 anos cresceram 85% no Brasil. O lançamento da campanha aconteceu na quadra da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, no Rio de Janeiro. Carnaval, para mim que adoro o samba, vivo intensamente este período de música, suor, emoção, ritmos e alegria, combina com camisinha. Prevenção combina com todas as festas populares que são a expressão da alegria e raiz de nossa gente, nosso povo.
Por isso, quero ressaltar aqui a necessidade de todos os foliões e foliãs que brincam o carnaval em blocos ou desfilam em avenidas; os que participam da festa em salões de bailes ou clubes; os que simplesmente curtem a data terem sempre camisinha à disposição. O Brasil oferece a profilaxia pós exposição (PEP) em caso de relação desprotegida. Sabemos disso e da importância desse método para evitar novas infecções. Mas a camisinha está sempre aí e cabe no samba, na avenida, nos salões , nos blocos, nos desfiles , nas escolas e combina com Carnaval, alegria, irreverência, suor, batuques, tons, amor , fantasias e ludicidade.
Francisco Angelo é coordenador de Marketing da DKT do Brasil. Apaixonado pelo Carnaval, é integrante das escolas de samba paulistanas desde 2003.
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