Marta McBritton
Acredito que quem trabalha com prevenção não deve perder uma única oportunidade de criar situações que favoreçam, estimulem, lembrem, provoquem, promovam o sexo seguro, no qual o preservativo ocupa um papel fundamental.
Peter Piot, em uma de suas falas durante a XVII Conferência Internacional de AIDS no México, frisou que tão importante quanto buscar novos métodos de prevenção é contemplar, ampliar e reproduzir estratégias comprovadamente eficazes, como os projetos de Marketing Social do Preservativo. Técnica que tem obtido resultados positivos em diversos países, cuja implementação é variável em termos econômicos. Comparrtilho da mesma perplexidade de Peter Piot.
No Brasil, temos uma série de fatores favoráveis para a reprodução em grande escala desta estratégia: Possuímos uma lei que autoriza a venda de preservativos (Lei Federal 10449) desde 2002 em qualquer estabelecimento comercial; ONGs que trabalham há mais de 10 anos com o Marketing Social do Preservativo, aperfeiçoaram-se nesta estratégia, criaram instrumentos próprios de intervenção, chegando até oferecer consultoria internacional. Importadores, fabricantes e distribuidores de preservativos, disputam acirradamente o mercado, lançando a cada mês camisinhas aromatizadas, coloridas, texturizadas, com brinquedos eróticos etc. É só conferir em uma prateleira de farmácia.
Muitos gestores já compreendem o alcance desta estratégia, que não concorre com a distribuição nos serviços de saúde: ONGs de SP recebem apoio institucional do Programa Estadual e Municipal de Aids para desenvolverem atividades com este foco.
Mas, o grande potencial concentra-se nas ONGs brasileiras, cujos componentes detem conhecimento sobre as diversas questões ligadas ao HIV/Aids/DST, saúde sexual e reprodutiva, com capacidade de estabelecer as mais variadas parcerias, circular em ambientes onde vendedores da iniciativa privada jamais se atreveriam a entrar, integrar-se e interagir com diversos segmentos populacionais, respeitando e valorizando seus valores culturais e principalmente o talento de sensibilizar pessoas em relação ao combate a Aids.
Essa soma de qualidades, se valorizada, poderia ampliar o acesso ao preservativo significativamente… se apenas 20% dos salões de cabeleireiro, academias, lojas 1,99, bancas de jornal, bares, boates, papelarias, perfumarias, lojas de roupas e tantos outros comércios que abrem sábado, domingo, feriados e que funcionam 24horas existentes no Brasil vendessem preservativos a preço popular, quantas pessoas teriam acesso a camisinha?
Enfim, quantas “mulheres de 50”, “geração do enta”, “moçada na balada”, “galera da facu”, etc, poderiam comprar a camisinha, no momento que o clima acontece? Quantas relações “seguras” aconteceriam por meio de uma iniciativa conjunta, adequada e popularizada?
Marta McBritton é coordenadora do Instituto Cultural Barong.
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