Brasil recebe o certificado de eliminação da transmissão vertical do HIV pela OMS

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Esta notícia me fez regredir no tempo, pelo menos 40 anos, e relembrar as batalhas e os atores que heroicamente travaram para que em 2026 um anúncio tão importante e construído por esses tantos atores pudesse ser anunciado pelo ministério.

Já no final da década de 80 as crianças, por terem uma clínica diferente da dos adultos, a maioria resultantes da infecção materna, começavam a procurar o serviço de saúde já com a doença avançada.

Quando a lembrança retrocede ao início da pandemia, alguns fatos são inesquecíveis, especialmente hoje que adolescentes, adultos jovens vivem uma vida plena, estudando e trabalhando, graças às medicações que foram conquistadas pela luta de profissionais da saúde, o empenho  organizações não governamentais, como a Associação de Auxílio à Criança e Adolescente Portador de HIV que a mais de 30 anos dá suporte às crianças e suas famílias, e que  também conjuntamente com outras ONGs lutaram pelo licenciamento compulsório, e trabalharam para que medicamentos chegassem ao País, e fossem distribuídos gratuitamente.

Enquanto medicamentos antirretrovirais não estavam disponíveis para crianças, farmacêutico, como do Instituto de Infectologia Emilio Ribas em São Paulo, que a meu pedido transformava em formulação pediátrica do medicamento AZT que já era liberado para adultos e que ajudou algumas crianças a chegar aos dias de hoje.

Quero deixar uma homenagem especial às mães que sem ter conhecimento amplo da nova pandemia e como teria chegado ao seu seio familiar, eram surpreendidas pelo diagnóstico do parceiro, que muitas vezes estava à morte, dos filhos e o dela.

O olhar cheio de medo de uma mãe que chegou no serviço com três crianças já diagnosticadas após a morte do marido, deixou uma marca para sempre, pois havia nesse olhar uma pergunta para a qual eu não tinha a resposta: “Por que nós?”

Estas mulheres tiravam do fundo da alma a força que ainda restava para cuidados dos filhos, do marido e por último delas próprias.

Este reconhecimento da OMS merece, sem dúvida um agradecimento a todos, que direta ou indiretamente, contribuíram para este resultado louvável.

* Dra. Marinella Della Negra é médica Infectologista do Instituto de Infectologia Emilio Ribas. Presidente da Associação de Auxílio à Criança e Adolescente Portador de HIV.

 

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