*Por Diego Callisto
A Conferência Mundial de Juventude de 2014, que aconteceu recentemente no Sri Lanka, foi bem articulada. Os jovens se mostraram entusiasmados em construir e trabalhar para alçar melhorias nas demandas da juventude para a agenda de desenvolvimento pós-2015 e, acima de tudo, dar voz ao protagonismo juvenil tanto nos objetivos do milênio (ODMs) quanto nos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS).
As discussões e negociações entre delegados jovens, governo e ONU marcaram a conferência de forma positiva, com a juventude, a todo momento, buscando pautar suas necessidades e prioridades e a importância de que as mesmas estejam inseridas em agendas globais conduzidas pela ONU.
O grande desafio para os jovens era fazer com que a Carta Colombo, também conhecida como Plano de Ação Colombo, principal produto dessa conferência, estivesse alinhada a todos os segmentos de juventude e se tornasse uma carta contemplativa, contendo, sobretudo, as demandas e prioridades de jovens inseridos em contextos de vulnerabilidades. Outro desafio era discutir tudo isso com países do mundo todo, cada um com suas especificidades, recomendações, culturas, costumes e tradições.
Chegar a um consenso foi uma experiência exaustiva, pois as propostas, por mais bem formuladas, redigidas e alinhadas às necessidades dos jovens em nível global, só poderiam ser aprovadas em consenso de todos os países presentes nas negociações oficiais com a ONU para construção da carta.
Acredito que a conferência foi uma oportunidade única para entender que vivemos um mundo onde os desafios e batalhas são similares à nível global, mas o modo de enfrentamento e de luta é o que diferencia e permite aos países obter ou não êxito em espaços de interlocução e diálogo como esse evento.
A conferência foi dividida em sete eixos e sete temas pertinentes às discussões e grupos de trabalho, sendo que todos perpassavam as 14 áreas de ação definidas conforme a participação da juventude, da sociedade civil, de membros de governo, de organizações e parceiros de desenvolvimento internacional que trabalham com a agenda de desenvolvimento pós-2015.
Todos os dias aconteceram as negociações entre governo, delegados nacionais da juventude e ONU para construção da Carta Colombo. Durante todas, o Brasil foi o grande protagonista, tanto no sentido de ter os jovens delegados brasileiros articulando com outras regiões, principalmente a America Latina, quanto pelo fato de os membros do governo brasileiro, por meio da Secretaria Nacional de Juventude, participarem ativamente da construção de textos. O Brasil apresentou 20 propostas nas negociações das 35 que construímos semanas antes da conferência, quando abrimos o documento zero da carta para consulta pública.
Temas como HIV, igualdade de gênero, saúde sexual e reprodutiva e seus direitos, orientação sexual, juventude do campo, população LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Transgêneros) exigiram diálogo fluido, articulado e assertivo de países com postura mais progressista e desenvolvida como o Brasil, as Filipinas, o México e o Vietnã. E uma postura mais receptiva e sensível de países que adotaram uma postura conservadora e reacionária nas negociações, como Arábia Saudita, Paraguai, Camarões e Sri-Lanka.
O tema HIV/aids consta em três tópicos dos 14 trabalhados na carta:. São eles:
Pleno emprego e empreendedorismo: recomenda o combate à discriminação e à exploração a que jovens vivendo com HIV possam estar sujeitos.
Acabar com as desigualdades sistêmicas: recomenda instar os países a promoverem igualdade de oportunidades, integração social e eliminar a discriminação e o estigma que envolve jovens com HIV.
Promoção de vida saudável e acesso à saúde: recomenda medidas para construir uma estrutura sustentável para o financiamento em saúde, o acesso a serviços amigáveis e que estes estejam dispostos a garantir a qualidade da saúde dos jovens vivendo com HIV.
A Carta Colombo é resultado de compromisso e consenso entre governos, jovens e ONU, com recomendações da juventude na agenda pós-2015, contendo suas demandas, seus anseios e desejos para que tenhamos a participação dos jovens em todos os níveis e agendas globais que dialoguem com as prioridades dos jovens de todo o mundo.
Particularmente, estou muito orgulhoso por ter sido escolhido para representar o meu país numa conferência de âmbito mundial e, sobretudo, por dar voz e vez aos jovens pautando suas necessidades, principalmente a de jovens que, assim como eu, vivem com HIV. Só se é jovem uma vez na vida, eu tenho muito para construir e o tempo voa! Então, vou trabalhar para dar seguimento a todas essas recomendações, com foco na agenda de desenvolvimento pós-2015!
* Diego Callisto é integrante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, do Fórum Consultivo de Juventude do Unaids e do Pacto Global para o Pós-2015.
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