Avançar é possível

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*Por Pedro Chequer

03/02/2015 – Analisando com atenção  a última campanha  de Carnaval do Ministério  da Saúde (2015), sem sombra de dúvidas,  constatamos importante avanço  do ponto de vista estratégico e na perspectiva da inovação. Inovação por ser a primeira campanha que focaliza a prevenção  em suas dimensões atuais e segundo as evidências  cientificamente  estabelecidas recentemente. Nestas,  o componente tratamento, além  dos inquestionáveis benefícios  à qualidade  de vida e extraordinário  aumento  na sobrevida do paciente,  oferece  também importante  reforço  às  ações  tradicionais  de prevenção, na perspectiva  de "tratamento  como instrumento  de prevenção".

Como sabemos, o uso adequado da terapia pode reduzir em mais de 90% a probabilidade  de transmissão do HIV  e isto se torna ainda mais evidente  quando se utiliza a estratégia  de "testar e tratar " proposta  pelo Programa Conjunto das Nações Unidas (Unaids) e  adotada de modo pioneiro  pelo governo brasileiro. Estratégica  porque focaliza, sem causar acúmulo de informações,  o estímulo ao uso do preservativo, à  testagem e ao tratamento.

  Foge, portanto, da "mesmice" tradicional  das campanhas de Carnaval e do enfoque enfadonho e burocrático de uma das campanhas que substituiu aquela vetada. Todavia, um aspecto negativo perdura: a precariedade de veiculação, problema  este crônico  nas campanhas nacionais do Programa  de Aids – peças  publicitárias  bem elaboradas e criativas, mas que pouco se vê na tevê e outros meios de comunicação.

Que esta campanha  represente o ponto de partida para, entre outras estratégias  adotadas,  o alcance  da meta de cobertura  universal do tratamento  antirretroviral, da promoção  da atenção humanizada e  de qualidade,  bem como o aumento  do uso do preservativo. Para tanto, uma verdadeira  mobilização  nacional se faz necessária,  na qual o governo em seus diversos níveis,  a sociedade e os meios de comunicação se unam num processo de ação  continuada e abordagem do tema de modo direto, sem meias-palavras, envolvendo estratégias  diversas e necessariamente o sistema educacional.

  Está de parabéns  o Ministério  da Saúde e o Departamento  de Aids,  tendo a clareza, todavia,  de que importantes e antigas lacunas devem ser superadas.

*Pedro Chequer é médico especializado em saúde pública, ex coordenador do Unaids Brasil

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