Aquele abraço. Padre Juarez de Castro

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Por Padre  Juarez de Castro

Cada vez mais raro e menos usado o abraço tem se tornado artigo de luxo. Economiza-se em tudo e, sobretudo no gesto terno e carinhoso de trazer o outro para junto de si. Realmente fico muito preocupado quando as pessoas se distanciam e evidenciam isto com a desculpa de que o mundo de hoje é muito corrido e não há tempo para firulas. Tornamo-nos secos, graves e sisudos e deixamos o mundo sem graça.

Jesus gostava e privilegiava o toque e o abraço. Para ele não bastava falar tinha que tocar. Assim o fez com o cego, tocando-lhe os olhos com sua própria saliva e terra. Repetiu o gesto ao tocar a sogra de Pedro curando-a de uma enfermidade, tocou os pés de seus discípulos para lhes ensinar o que era o amor. Permitiu que João repousasse sobre seu peito numa cena de candura e singeleza própria dos que verdadeiramente amam.

Na missa, a Igreja nos ensina que antes de comungar Jesus, na Eucaristia, devemos comungar o irmão pelo gesto do abraço. Assim durante a celebração somos convidados a abraçar o outro para que possamos sentir a sua presença e levá-lo conosco quando a missa acaba.

Abraçar é tentar levar o outro pra dentro de nosso coração, por isso abrimos os nossos braços e trazemos o coração daquele que abraçamos pra bem perto do nosso coração, para que batam juntos num mesmo compasso de amor. Pelo abraço vencemos as diferenças, superamos o egoísmo e o melhor, matamos o preconceito. Não há quem resista a um abraço. Não há mal que suporte o gesto carregado de ternura de se entregar nos braços do outro.
Já li algo sobre a “terapia do abraço”, em que se afirmava que o abraço teria propriedades terapêuticas e poderia curar várias doenças. Acredito, pois nem precisaria de um estudo acadêmico sobre isso, basta abraçar pra se notar como nossa vida muda.

Mas porque estou falando tanto de abraço, se me pediram pra escrever sobre o Natal?

Pois há muito tempo venho chamando o Natal de “Festa do Abraço”. É a época em que damos e recebemos abraços. Neste tempo felicitamo-nos com um feliz natal e um forte abraço. Ao entregar aquele seu presente de amigo-secreto, logo depois vem o abraço, e se você não gostou daquele presentinho (o que não é difícil) valeu pelo abraço. Mas Natal é festa do abraço também e, sobretudo por outro motivo. Venha comigo até a estrebaria de Belém, olhe lá dentro e preste atenção naquela manjedoura. O que você vê? Ah, eu vejo um Deus escondido numa criança que, de braços abertos, me chama para me abraçar com todo amor e ternura do mundo.

Pra você, aquele abraço e Feliz Natal.

Mineiro da cidade de Lavras, Juarez de Castro ordenou-se padre em 9 de dezembro de 1995, depois de concluir seus estudos em Rio Negrinho, Jaraguá do Sul e Brusque, em Santa Catarina, e Taubaté, em São Paulo. Padre Juarez trabalhou no Santuário São Judas Tadeu em São Paulo e depois foi nomeado como Secretário-Geral do Vicariato da Comunicação na Arquidiocese de São Paulo.

Atualmente, ele desenvolve um trabalho intenso na mídia comunicando o Evangelho em quase todos os meios e tem percorrido o Brasil com apresentações e shows levando música, arte e evangelização.

Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Aids são de inteira responsabilidade dos colaboradores e não expressam obrigatoriamente as opiniões desta agência.

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