Em 1958, na Dinamarca, foi isolado um vírus em macacos utilizados em laboratórios de pesquisa. Foi chamado de vírus da varíola dos macacos ou monkeypox ou mpox.
Em 1970, foi identificado o primeiro caso em um bebê de 9 meses na África Central, provavelmente por contato com roedores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a adotar apenas o termo mpox para evitar assassinato de macacos, que nem são mais considerados os principais hospedeiros.
Em 2022, aconteceu um surto global pela variante 2b, atingindo diversos países, inclusive o Brasil. Ficou evidente que a transmissão foi de pessoa para pessoa por contato íntimo ou sexual. Houve casos até maio de 2023 e a vacina demorou a chegar, além da quantidade ser insuficiente.
Em agosto de 2024, a OMS decretou emergência sanitária após verificar novas variantes do vírus (clados 1 e 1b) com características distintas, aparentemente mais graves. No Brasil, naquele ano, ainda permaneciam cepas anteriores.
Cerca de 1 a 3 dias antes do surgimento das lesões na pele, podem ocorrer febre com ou sem calafrios, fadiga, dor de garganta e dor muscular. As lesões vão aparecendo em diversas regiões, incluindo couro cabeludo, olhos, orofaringe, região genital e ânus. A dor é comum e a coceira pode ser intensa, respondendo mal aos antialérgicos. Corticoides não devem ser usados (nem tópicos nem via oral).
Especialmente quando as lesões são disseminadas e, ainda, comprometem as regiões palmares e plantares, o diagnóstico tem sido confundido com sífilis secundária e muitos pacientes vêm sendo medicados com penicilina benzatina, ceftriaxona e doxiciclina ao procurarem atendimento nas unidades de saúde, sem que seja levantada a hipótese de mpox e nem realizada a coleta de material para o diagnóstico correto..
Pessoas que vivem com HIV e têm baixa imunidade apresentam maior risco de gravidade e até óbito, assim como as gestantes, que podem perder o feto ou ter outras complicações.
Não existe tratamento especifico e o isolamento é fundamental (o período depende da evolução do quadro clínico, que pode variar de 7 a 21 dias). É aconselhável usar máscara, roupas de mangas compridas e separar toalhas e demais objetos de uso pessoal se houver mais pessoas na mesma casa.
* Dra. Márcia Rachid é médica formada em 1982 pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Membro do Comitê Técnico Assessor para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos do Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) até 2021. Coordenadora da Câmara Técnica de Aids do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) até 2021. Cofundadora do Grupo Pela VIDDA-RJ (fundado em 24 de maio de 1989). Professora da UNIRIO de 1985 a 1993. Coautora do Manual de HIV/Aids (décima edição em 2017; Editora Thieme Revinter Publicações Ltda.). Autora dos livros Sentença de Vida (terceira edição), cuja primeira edição foi publicada em 2020, e Vidas Marcadas, publicado em dezembro de 2024, ambos pela Editora Máquina de Livros. Assistência a pessoas que vivem com HIV desde 1984. Consultoria técnica para teatro, vídeos e séries.
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