Antirretrovirais garantem qualidade de vida – Por Maria Clara Gianna

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Por Maria Clara Gianna

Por mais estranho que pareça e por mais que os índices apontem o
contrário, há quem, ainda nos dias de hoje, vá contra as evidências e levante dúvidas sobre a eficiência dos antirretrovirais no controle do vírus da aids. Nós, da Coordenação Estadual de DST/Aids de São Paulo, cumprimos o dever de esclarecer a população. Temos a dizer que os profissionais da área da saúde que atendem portadores de HIV/aids desde o início da epidemia não têm a menor dúvida em relação aos benefícios que os medicamentos vêm proporcionando aos pacientes. A redução impressionante da taxa de mortalidade no Estado de São Paulo (de 22,9 em 1996 para 8,0 em 2007 num grupo de 100 mil) e a melhoria expressiva da qualidade de vida dos pacientes em tratamento são as provas disso.

Como em qualquer remédio, mesmo uma simples aspirina, os
antirretrovirais provocam, sim, efeitos colaterais de curto e longo
prazos. Porém, nenhum deles se compara ao quadro desolador do passado, quando invariavelmente todos os pacientes morriam com infecções oportunistas num curto período.

Há uma absoluta convicção na comunidade científica internacional de que a relação custo/benefício do tratamento, quando relacionada aos efeitos adversos, é indiscutivelmente positiva. Atualmente, a aids é uma doença crônica e controlável graças aos antirretrovirais e todo esforço é dispendido na tentativa de fazer o diagnóstico precoce a fim de se iniciar o tratamento no momento adequado, antes que o paciente adoeça devido à imunodepressão.

Quanto à liberação desses medicamentos, todo o rigor científico é
observado por meio de estudos clínicos controlados e em consonância com os comitês de ética médica e órgãos reguladores nacionais e
internacionais, como a Anvisa e a Organização Mundial da Saúde. Ou
seja, nenhum estudo poderá ferir os princípios da ética e da segurança estabelecidos com o intuito de proteger os pacientes.

No momento dispomos de 18 medicamentos antirretrovirais e, entre eles, o AZT continua sendo um dos mais indicados e prescritos pelos
infectologistas. É considerado primeira opção de combinação dentro do
Consenso Brasileiro em Terapia Antirretroviral, norma oficial do
Ministério da Saúde que orienta os médicos no acompanhamento dos
portadores de HIV/aids. Vale lembrar que o AZT tem sido essencial para a prevenção da transmissão vertical do HIV (mãe para filho). Seu uso sistemático promoveu a queda de casos dessa categoria de transmissão de quase cinco vezes: de 418 casos em 1997 para 84, em 2006.

Dra. Maria Clara Gianna é coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo.

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