Quem pensa que a extrema direita se estabeleceu no país com a eleição de Jair ‘Embora’ Bolsonaro está profundamente enganado. Há tempos ela estava se imiscuindo em todas as hostes do poder, interferindo em políticas públicas sempre sob as bênçãos do Altíssimo. Na área da Saúde, mais especificamente a luta contra a aids, o tranco foi forte, com a censura de vários materiais, fechamento de várias comissões de interlocução entre governo e sociedade civil e ataques violentos às populações mais vulneráveis, notadamente a comunidade trans. Porém, uma vez mais, a esperança venceu o medo e um novo governo assumiu a condução do país, agora com compromissos sociais mais humanitários e a promessa de varrer o lixo fascista para seu merecido lugar: o esgoto da história.
Todo mundo sabia que consertar o estrago feito na gestão anterior não seria fácil e o tempo está comprovando essa percepção coletiva, mesmo porque ainda estamos lutando contra o espólio da COVID-19 e seus malefícios em todas as áreas. A retomada das comissões de interlocução foi um grande passo, bem como manter um olhar técnico para as ações, ao invés de dogmas religiosos e conservadores. A prevenção combinada é uma realidade estabelecida, apesar da arrogância biomédica em afirmar que políticas de prevenção baseadas no modelo social não funcionam e que o futuro da prevenção é através de produtos farmacêuticos. Continua existindo a necessidade de aproximação entre a academia e os movimentos sociais, para que devaneios assim deixem de se propagar, afinal, foram as inovadoras ações preventivas baseadas em comportamentos e vulnerabilidades sociais que fizeram do Brasil a principal referência mundial em um tempo não tão remoto.
A luta contra a aids no Brasil tem que seguir os passos da diplomacia brasileira na retomada do protagonismo mundial e na busca por iniciativas pioneiras e inovadoras. Novos medicamentos, novas formas de prevenção, interação entre o movimento social e os principais grupos virtuais ligados à AIDS para estímulo de novos ativistas. Afinal, os grupos são uma excelente ferramenta, mas é no ativismo que se definem verbas e sua destinação.
E, claro, estar sempre alerta, pois a cadela do fascismo ainda vive.
* Beto Volpe, ativista independente e escritor
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