Hugo Hagström
Para alguns de nós, apenas a passagem cronológica do tempo é suficiente para que as novidades aconteçam, para outros é necessário que se estabeleça um MOVIMENTO, impulsionado por nós, pois sem ele o novo não acontece. Imaginando que essas duas teorias façam sentido para aqueles que como eu acreditam ser necessário um movimento de impulsão para se chegar ao novo, vou comentar alguns dos desafios que teremos pela frente.
Em relação aos segmentos da sociedade civil (ONGs, RNPs, Cidadãs Positivas, Movimento de Jovens, dentre outros) e governamental, nesse último focando a gestão dos próximos quatro anos do município de São Paulo, descobriremos que muitos espaços já foram conquistados pela sociedade civil (conselhos de saúde, conselhos gestores). No entanto, teremos um grande desafio para o monitoramento desses espaços. Estamos em um município, cujo conselho de saúde não é reconhecido pelo secretário de saúde de São Paulo; temos conselhos gestores dentro dos Serviços de Atendimento Especializado (SAE) em que o gestor utiliza-se de estratégias para o enfraquecimento tanto do segmento dos trabalhadores quanto dos usuários; temos hospitais municipais e estaduais gerenciados por Organizações Sociais que não querem a formação de conselhos gestores dentro das suas unidades; temos a descentralização da saúde que já é um fato consumado, e aponta para todos os cidadãos que, independentemente de sua patologia, terão as Unidades Básicas de Saúde (UBS) como porta de entrada para atendimento, o que nos deixa no mínimo apreensivos no que diz respeito às pessoas infectadas pelo vírus HIV e, também, a outras patologias com alto grau de complexidade.
Em se tratando do universo HIV/Aids é importante lembrar que esta síndrome vem acompanhada de outros “vírus” por vezes mais agressivos que o próprio vírus HIV. Estou falando de preconceito, discriminação, julgamento, vergonha, medo e rótulo, que se colocados dentro de um mesmo ser humano geram o pior de todos os “vírus”, o chamado ESTIGMA. Portanto, fica muito difícil não pensar na perda da qualidade do atendimento tanto para as pessoas já infectadas, como para aquelas que irão se descobrir ao longo do tempo. Sabemos que se não houver uma capacitação, humanização, qualificação para os profissionais de saúde das UBS fica impossível não se pensar em perda de qualidade. É fato que o Programa Municipal de DST-AIDS já vem capacitando alguns profissionais de saúde das UBS, no entanto, o alto grau de rotatividade de funcionários dentro dessas unidades faz com que todos esses esforços de capacitação caiam por terra. Também fica uma pergunta no ar: Será possível implantar conselhos gestores dentro de uma Unidade Básica de Saúde?
Agora, falando um pouco do nosso próprio umbigo, para mim está claro que teremos também um enorme desafio na luta contra Aids, seja esta realizada por nós cidadãos ligados a movimentos sociais ou não. Precisaremos unir forças e respeitar a fragmentação existente dentro do movimento de luta contra Aids. Nos pontos onde houver consenso, devemos falar a mesma língua, nos pontos em que este consenso não existir, que façamos a nossa autocrítica para tentarmos melhorar as nossas ações por um mesmo objetivo. Tenho absoluta certeza que existem muitos outros desafios a serem enfrentados por todos nós. Apenas fiz um breve comentário sobre alguns dos atos que teremos pela frente.
Desejo a todos nós, independentemente do lado em que estejamos, um ano novo repleto de MOVIMENTO, AÇÕES, SENTIMENTOS, SENSAÇÕES, PERCEPÇÕES e muita ENERGIA em todos os 365 dias do ano de 2009!!!
Hugo é ativista do Grupo de Incentivo à Vida (GIV)
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