ÁLCOOL E REDUÇÃO DE DANOS – Mônica Gorgulho é psicóloga, coordenadora da Dínamo – Informação Responsável sobre Drogas e afins, e diretora da IHRA – In

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O Brasil, sempre participante do movimento internacional de RD e sendo o primeiro a implantar esta modalidade de atenção para os usuários de substâncias ilícitas na América Latina, não deixou de perceber a necessidade de uma alternativa aos modelos tradicionais de cuidados para as questões nacionais referentes ao uso e abuso de álcool, considerando a RD como um modelo natural de abordagem também para esta questão. Assim, em 2002 realizou a Primeira Conferência Internacional de Álcool e Redução de Danos, em busca de uma abordagem abrangente para a questão. Em 2004 foi a vez de a Polônia realizar a Segunda Conferência, discutindo novos desafios para um mundo em mudança, sendo seguida pela África do Sul, onde aconteceu a Terceira Conferência entre os dias 22 e 25 de Outubro passado, com o objetivo de propor soluções concretas e realistas para esta questão. Dentre as realidades enfrentadas por todos os países participantes do encontro, distribuídos pelos cinco continentes, está a infecção pelo HIV através da via sexual entre usuários e dependentes de álcool.

Até muito recentemente a atenção dos técnicos, tanto do campo do tratamento quanto do desenvolvimento de políticas públicas, voltava-se para aqueles identificados como alcoólatras. No entanto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 50% dos problemas relacionados ao consumo de álcool são causados
em episódios isolados, por pessoas que fizeram abuso desta substância sem, contudo, poderem ser diagnosticadas como dependentes ou mesmo bebedores problemáticos. Mesmo isolados, são episódios que demandam toda nossa atenção uma vez que podem significar riscos para os próprios usuários ou pessoas à volta deles. Estudos como os apresentados na última conferência mostram relação direta entre uso de álcool e prática sexual desprotegida, e uso de álcool e prática sexual com usuários de drogas injetáveis. No entanto, a grande maioria dos entrevistados não se considera sob risco, nem mesmo para infecção pelo HIV, apesar do comportamento relatado.

Assim, esperamos chamar a atenção de toda a sociedade para a necessidade de se desenvolver e implementar, o quanto antes, estratégias de RD que respondam de forma pragmática e realista também aos problemas de saúde e sociais causados pelo uso e abuso do álcool. A RD já se provou eficaz na prevenção do HIV entre usuários de substâncias ilícitas. Chegou o momento de emprestar sua competência aos problemas causados pelo uso cada vez mais intenso e precoce de álcool entre populações do mundo todo.

Mônica Gorgulho é psicóloga, coordenadora da Dínamo – Informação Responsável sobre Drogas e afins, e diretora da IHRA – International Harm Reduction Association. E-mail: monica@dinamo.org.br

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