Dr. Luiz Roberto Barradas Barata
No início da epidemia da Aids, nos anos 80, boa parte dos médicos e da população acreditava que a doença ameaçava de forma restrita aos chamados grupos de risco, como os profissionais do sexo, homossexuais e usuários de drogas. Na verdade, porém, o tempo e o maior conhecimento da doença se encarregariam de mostrar que todos são vulneráveis ao HIV: homens e mulheres, casados ou solteiros, jovens e idosos, ricos e pobres.
O vírus da Aids nas duas últimas décadas se disseminou entre os diversos segmentos da sociedade, avançando sobretudo entre as mulheres heterossexuais.
O Brasil tornou-se referência mundial no tratamento de portadores do HIV, graças à bem sucedida política de saúde pública implantado no país que prevê a orientação da população e a distribuição gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), dos coquetéis anti-retrovirais aos pacientes infectados. No Estado de São Paulo, onde o programa nasceu, cerca de 70 mil pacientes recebem mensalmente o tratamento, contra a doença.
Com esse trabalho arrojado, o SUS conseguiu uma grande vitória ao incentivar o diagnóstico precoce e a prevenção, além de promover expressivo aumento da sobrevida dos portadores de Aids, redução do número de internações e sensível diminuição da transmissão vertical, ou seja, de gestantes infectadas para seus filhos.
Se as conquistas são inegáveis, ainda há também muitos desafios. E aqui cabe um alerta: o sucesso do programa brasileiro, que garantiu maior qualidade de vida aos portadores do HIV, pode causar a falsa sensação de “segurança” em relação à doença. Não se engane: a Aids é uma doença grave, que afeta o sistema imunológico das pessoas, não tem cura ou vacina, e pode levar à morte. O melhor caminho, portanto, ainda é a prevenção.
O sexo sem proteção tem um sem número de implicações negativas além da Aids, dentre as quais a gravidez indesejada e, a infecção pelos diversos tipos de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Usar corretamente a camisinha nas relações sexuais, continua sendo a melhor maneira de evitar a AIDS e demais doenças sexualmente transmissíveis.
Se você é usuário de drogas injetáveis, utilize sempre material descartável e nunca compartilhe agulhas ou seringas. Ao fazer tatuagens ou piercings, verifique se o material usado na aplicação é descartável e está devidamente esterilizado. Para as gestantes, um alerta especial: para garantir a saúde o seu filho faça o teste anti-HIV durante o pré-natal procure acompanhamento médico para tratamento caso o exame dê positivo.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, por intermédio do Centro de Referência em DST/Aids, mantém um serviço gratuito para tirar dúvidas e orientar a população, pelo telefone 0800-162-550. O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e a identidade do usuário não precisa ser revelada. Pense bem: se você pode prevenir, para que arriscar?
Dr. Luiz Roberto Barradas Barata, médico sanitarista, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo
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