Por Diego Callisto
No dia 20 de maio, lideranças juvenis de redes regionais e globais, membros do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids) e parceiros se reuniram em Hammamet, na Tunísia, para discutir as prioridades e necessidades da juventude e propor dois tipos de ações contra a pandemia: emergências e as de curto, médio e longo prazo. Eu estive entre os participantes e trago neste artigo um relatório sobre o evento.
Durante o encontro foi consenso de que atualmente os meios de comunicação estão mais acessíveis à juventude, possibilitando dessa forma serem explorados e amplamente divulgados no campo da prevenção e tratamento, visando garantir através dos meios de comunicação virtuais, como egroups, fóruns, facebook, dropbox e twitter, mais uma forma de chegar na juventude. E através desse acesso, muitas vezes interativos, trabalhar temas que perpassam sobre a necessidade de se aumentar a divulgação da prevenção e do sexo seguro para que mais jovens tenham informação e, com isso, reduzir o número de novos casos de HIV nesta população.
Discutimos também a necessidade de exigirmos mais dos profissionais e serviços de saúde, assim como sobre a importância de uma linguagem mais coerente com as populações jovens para que se consiga uma adesão nos serviços de saúde por parte da juventude e que se possa aproximar os jovens em geral dos serviços, mantendo a boa qualidade do tratamento e garantindo as necessidades na área da saúde.
A ideia não é especializar o serviço para atender os jovens, mas sim capacitar esses serviços de maneira que o jovem se sinta acolhido e bem nesse espaço para que consiga manter a regularidade de seu tratamento e bons indicadores em resposta à terapia antirretroviral.
Lideranças do mundo todo apontaram a necessidade do jovem estar inseridos nos espaços de decisão e de construção de melhorias desses serviços, como os conselhos de saúde. Isso pode ajudar a garantir que a juventude tenha voz e vez, e que suas prioridades e reivindicações sejam atendidas nos serviços.
Os dados do Unaids, apresentados no evento e referentes à infecção do HIV em 2011, demonstram que 40% do total de casos foram diagnosticados na população jovem naquele ano, o que gerou uma preocupação de todos que lá estavam, visto que com um dado tão preocupante e real, seria preciso não só debater e expor ideias, mas formalizar um pacto em prol da juventude, visando minimizar novas infecções e garantir que a prevenção seja amplamente difundida em todos os níveis.
Diante desse cenário, as 12 organizações globais e regionais ligadas à área do HIV e aids que lá estavam, mais quatro organizações que trabalham com saúde, educação, direitos sexuais e reprodutivos, totalizando assim 16 organizações, formaram o Pacto de Compromisso com a Juventude e constituíram o YAF (Youth Advisory Forum), que tem como propósito traçar estratégias que visem dar voz às ideias e articulações jovens, dando vez às necessidades da juventude e estabelecer uma ação de jovens para jovens na luta contra a pandemia de aids.
Durante o encontro, discutiu-se também o termo “jovens vulneráveis” para designar os mais afetados pelo HIV, e ficou acordado entre os presentes que não será utilizado, pois pressupõe a separação, diferenciação e estigmatização de parte da juventude.
Além disso, foi consenso que para se garantir a produtividade desse Fórum consultivo e do pacto formado nessa reunião são necessários que os trabalhos de bases locais e regionais sejam feitos de forma efetiva e que sejam fonte de retroalimentação para o trabalho global; e que uma ação extremamente necessária e importante nesse momento é o mapeamento das regiões mais atingidas pela pandemia e com maior prevalência do HIV na população jovem.
O Pacto visa à transformação social e teve como produto direto a elaboração de cinco temas principais que atravessam as agendas das organizações presentes, definidos como áreas prioritárias a serem trabalhadas nas quais os grupos componentes do YAF podem fazer um impacto tangível e assertivo com base também nas metas estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas para o HIV e Aids de 2011.
As áreas prioritárias incluem ações para integrar os serviços relacionados ao HIV, a garantia do acesso ao tratamento e aos serviços de saúde.
Através dessa agenda coletiva foi possível observar que o Pacto traz uma proposta inovadora ao estabelecer áreas prioritárias em cima de necessidades globais e trabalhar com prazos a serem cumpridos e uma agenda a ser seguida para garantir que todas as ações locais, regionais e mundiais se interliguem entre si e garanta a produtividade e a garantia dessas ações determinadas como prioridades.
O Unaids deixou claro que seu objetivo é apoiar as organizações não governamentais no que for preciso e garantir que o combinado traga os melhores resultados possíveis para a juventude através de subsídios, orientação e colaboração.
O Pacto foi selado e haverá reuniões constantes na plataforma online do Crowd Out Aids, visando a atualização e o acompanhamento das ações regionais, além da troca e compartilhamento de informações por parte dos jovens líderes que encabeçam esse importante processo de construção global. Haverá ainda reuniões online com planilhas de acompanhamento e controle do andamento das atividades e encontros presenciais a cada três meses em local pré-estabelecido pelo UNAIDS para que possa haver a divulgação de todos os pontos já concluídos e quais os empecilhos e problemas que estão surgindo durante essa execução.
O YAF é, para mim, uma das maiores conquistas no campo da parceria de organizações e redes de juventude. Esperamos através dele não só atender as cinco áreas prioritárias, mas trabalhar para se garantir que a aids não continue aumentando entres os jovens.
Diego Callisto é integrante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e Aids e participou do evento na Túnisia.
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