Mariângela Simão
A sétima edição do Congresso Brasileiro de Prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids reunirá, de 25 a 28 de junho, mais de 4 mil pessoas em Florianópolis, capital de Santa Catarina, para explorar as diversas dimensões, abordagens e articulações entre o global e o local na formulação de respostas à epidemia.
Nos últimos anos, o desafio da descentralização da saúde trouxe para as áreas de prevenção e assistência às DST e aids a reflexão sobre a necessidade de se rever processos de gestão, perfis tecnológicos e organização dos serviços de atenção. Com a descentralização progressiva do Sistema Único de Saúde (SUS) e o conseqüente aumento da responsabilidade dos municípios frente à epidemia, a construção da resposta local adquire relevância cada vez maior.
A partir desse processo, foram intensificadas as demandas das pessoas portadoras do vírus e de segmentos populacionais mais vulneráveis ao HIV, considerando a relação entre os conceitos básicos do SUS – universalidade, integralidade e eqüidade.
Espaço plural em sua essência, o congresso é promovido em parceria pelas três esferas de governo – federal, estadual e municipal. Com uma vasta programação científica e cultural, o evento propiciará ao participantes a troca de experiências, conhecimentos e idéias. Essas análises são fundamentais para compreender e transformar os contextos de risco e vulnerabilidade das pessoas ao HIV.
Em quase 30 anos de aids no Brasil, a resposta nacional à epidemia, fruto de uma parceria coesa entre governo e sociedade civil, vem se consolidando com base em três ações primordiais: promoção do acesso aos insumos de prevenção, oferta de tratamento no SUS a todos que necessitam e respeito aos direitos humanos.
Mas o Brasil não é único. Cada município é uma realidade diferente, um outro mundo. Com uma epidemia dinâmica, que impõe desafios a cada dia, a resposta brasileira precisa agregar, cada vez mais, novos e antigos parceiros na luta de reduzir o estigma, o preconceito e a discriminação que ainda envolvem a aids.
Nesse sentido, o congresso será, também, um importante espaço para refletir sobre os rumos do campo da prevenção e reafirmar a política brasileira de prevenção, que não se fundamenta em preceitos morais ou religiosos, mas em evidências científicas e no respeito às individualidades e à diversidade.
Que possamos todos nós, gestores, profissionais de saúde, pesquisadores, representantes da sociedade civil, professores, estudantes e pessoas que vivem com HIV e aids, usar esse espaço para avançar no caminho da construção coletiva de respostas eficientes e justas aos desafios postos pela epidemia.
Mariângela Simão é diretora do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde
Apoios



