A Conferência contou com a participação de aproximadamente 26.000 pessoas entre cientistas, políticos, comunidades ativistas, líderes comunitários, jornalistas, organizações governamentais e não governamentais, profissionais da saúde, pesquisadores e portadores de HIV/Aids de mais de 170 países, o que possibilitou diferentes grupos de discussão, troca de idéias, experiências, conhecimento e pesquisas sobre os programas de HIV/Aids e a importância do fortalecimento da prevenção, do tratamento e dos cuidados e esforços mundiais contra a pandemia.
A abertura do evento já sinalizava as questões principais a serem discutidas: o acesso universal ao tratamento anti-retroviral e a importância da discussão e implementação de novas e eficazes políticas de prevenção. A preocupação direcionada de grande parte das Fundações, ONGs e Agências Financiadoras de todo o mundo, com a situação das pessoas vivendo com HIV/AIDS na África era também muito evidente.
“Tempo de Cumprir”, o tema da Conferência, sinalizou mais uma vez, que muito já se prometeu em outros eventos e fóruns sobre AIDS, mas o que de fato concretamente se cumpriu?
O mundo está voltado para a África discutindo o básico, que é tratamento e prevenção. Mas e o Brasil? Será que estamos tão seguros quanto a sustentabilidade do programa de tratamento e das políticas de prevenção?
Em todas as visitas aos espaços de exposição onde se concentrava a maioria das agências financiadoras, quando questionava sobre o interesse em financiar projetos para o Brasil, ouvia como resposta unânime: O Brasil está em situação privilegiada! Pergunto, até quando?
A representatividade do Brasil foi extremamente pequena na Conferência, mas o mundo nos vê como referência e privilegiado em comparação aos países emergentes e subdesenvolvidos.
Levando-se em consideração o que estava sendo discutido (acesso universal ao tratamento onde África ocupou lugar de destaque), estamos sim adiantados, mas precisamos avançar em nossos interesses e levar para a próxima Conferência os temas que nos afetam diretamente, inclusive a situação real dos países da América do Sul que também não se encontram em situação assim tão privilegiada.
Finalizo minha experiência com um alerta: “África – o foco do mundo”, mas o Brasil precisa se movimentar para defender os interesses e necessidades locais antes da XVII Conferência no México. Olhos abertos também para a nossa realidade!
Elaine Teixeira é psicóloga voluntária do GIV (Grupo de Apoio à Vida). Atua no departamento de Saúde Mental e Projetos da Instituição e é uma das Supervisoras do “Projeto Cuidador Solidário.”
Elaine Teixeira é psicóloga voluntária do GIV (Grupo de Apoio à Vida). Atua no departamento de Saúde Mental e Projetos da Instituição e é uma das Supervisoras do “Projeto Cuidador Solidário.”
E-mail: elaine.teixeira1@itelefonica.com.br
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