A AIDS E O PROBLEMA DA ALIENAÇÃO – Cassius Guimarães é Jornalista e aluno da pós-graduação em Jornalismo Científico do Labjor, na Unicamp.

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Cassius Guimarães

Este ano, duas importantes questões devem ser lembradas no campo da saúde: a primeira, em âmbito mundial, e a segunda, nacional. Há 25 anos, o mundo viu a chegada a uma importante conclusão em uma pesquisa sobre o vírus causador de uma então misteriosa doença, a Aids. Anos depois – duas décadas atrás –, tinham início no Brasil as pesquisas científicas com o vírus HIV.

Tanto o começo das pesquisas quanto a descoberta da existência do vírus devem ser motivo de comemoração – afinal, somente pelo conhecimento dos fatores desencadeadores de uma doença é possível entendermos os métodos de prevenção, tratamento e cura.

Nos anos 80, a Aids era um monstro que inspirou mórbidos auto-retratos do fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe e mostrou ao Brasil um Cazuza de poesia vigorosa a despeito do corpo debilitado. Com o avanço das pesquisas, porém, atualmente a Aids está muito mais próxima de uma doença crônica do que de um ceifador – uma vitória do conhecimento.

É por meio da informação – assimilada e posta em prática – que o estudos científicos ganham força e também é ela que precisa estar presente no dia-a-dia da sociedade, do transeunte em qualquer rua do país ao cientista no laboratório.
Entretanto, a despeito de todo o conhecimento que se tem hoje sobre o assunto e de iniciativas de divulgação importantíssimas para o Brasil como a Agência de Notícias da Aids, persiste o problema da falta de conhecimento. Pesquisas recentes do Ministério da Saúde mostram que, entre os jovens de 15 a 24 anos – faixa etária que é novidade nas pesquisas do Ministério –, somente 62,3% têm conhecimento correto das formas de transmissão do HIV.

Apesar de a maioria deles (95%) citarem o preservativo como forma de prevenção, o uso regular foi citado por apenas 40%. É importante percebermos essa vulnerabilidade e entendermos que se fala de um considerável contingente populacional – mais de 54,9 mil casos identificados entre jovens desde 1982, com predominância do sexo feminino na faixa dos 13 aos 19 anos e proporção similar entre os sexos de 20 a 24 anos.

Diante desses e de outros dados sobre HIV/Aids no Brasil, decidi, em parceria com as biomédicas Ana Paula Morales e Camila Macedo, engrossar o coro das vozes que falam aos brasileiros sobre a Aids – uma parcela da população já muito ativa e engajada.

Assim surgiu o HIV Brasil, blog destinado a tratar de assuntos relacionados a HIV e Aids e que tem como um de seus principais objetivos, nos esforços por um entendimento e uma divulgação amplos sobre o vírus e a doença no Brasil, a veiculação do Dossiê HIV Brasil.

O projeto é parte de nossos estudos no curso de Jornalismo Científico do Labjor – Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo, da Unicamp – Universidade Estadual de Campinas. Apesar da localização, pretendemos atuar com informações de nível nacional, como o próprio nome do site sugere, e, para potencializar nosso papel de comunicadores junto à sociedade, convidamos a todos a visitarem o blog do projeto e interagirem conosco. Comunicação é troca, interação, e a comunicação sobre HIV/Aids também pode acontecer dessa maneira.

Esperamos você no www.hivbrasil.blogspot.com.br

Cassius Guimarães é Jornalista e aluno da pós-graduação em Jornalismo Científico do Labjor, na Unicamp.

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