Por Heliana Moura*
06/03/2017 – Mais uma vez o dia 8 de março chega para lembrar e reforçar o papel importante da mulher na construção de políticas públicas e na participação nas lutas femininas para garantia dos direitos já existentes e implementação de novas conquistas.
Nós, mulheres do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), nos juntamos aos demais movimentos de mulheres a fim de seguirmos juntas nas lutas, apoiando a proposta de uma paralização internacional de mulheres.
É preciso barrar essa onda de ódio, misoginia, racismo, transfobia, intolerância religiosa e todas as formas de discriminação que vem inundando todo o mundo. Pois fragilizam e vulnerabilizam ainda mais nós mulheres cis ou trans à infecção ao HIV e outras ISTs.
Vulnerabilidades essas que dificultam a nós mulheres a negociação ao uso do preservativo, lembrando que muitas estamos vivendo situação de violência, submissão, processo de inferiorização e ainda de exclusão do poder de decisão seja na vida pública ou na vida privada.
Vale lembrar, que mesmo eu tendo parceiro fixo e não usando preservativo nas relações, também estou vulnerável, e posso me infectar por qualquer IST e ainda pelo HIV. Ser casada ou ter parceiro fixo não me imuniza o que muitos ainda acreditam e essa percepção são de muitas mulheres e também pela sociedade em geral, o que faz aumentar o índice de mulheres infectadas.
É importante considerar as especificidades de nós mulheres, como por exemplo, o direito reprodutivo muitas vezes ignorado pelos gestores, profissionais de saúde e pela sociedade como um todo e os direitos sexuais que também não são levados em conta devido ao estigma que o HIV traz, e que prejudicam nossa dignidade, tratamento, adesão aos remédios, na participação e controle social, dentre outras coisas.
É importante que todas se juntem nessa luta para que cheguem informações e orientações corretas sobre a infecção pelo HIV, insumos de prevenção (preservativos femininos, masculinos e gel), e que a sociedade não aceite e nem seja conivente com a violência contra nós mulheres, para que seja possível uma maior autonomia da mulher pelo seu corpo e decisão de estratégias de prevenção. Dessa forma, conseguiremos ampliar nossos olhares para as reais necessidades e planejarmos respostas a todas essas questões de fato efetivas.
O MNCP convoca a todos os movimentos e todas as mulheres, para juntos pensarmos em estratégias de fortalecimento e empoderamento das mulheres, a fim de que haja um maior cuidado integral da sua saúde e uma maior autonomia em suas escolhas e que venha contribuir na redução das desigualdades de gênero, na violência e no numero de mulheres infectadas pelo HIV e outras IST’s.
* Helina Moura é ativista e representante política do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas.
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