Por Silvia Almeira
“…Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido
se não tocarmos o coração das pessoas!
E isso não é coisa do outro mundo,
É o que dá sentido à vida…”
Escolhi este pedaço de um dos poemas de Cora Coralina, para descrever um pouco do que penso sobre Ser Mulher.
Tal qual este trecho do poema, penso que para nós mulheres a vida e o tempo sempre são curtos, sempre estamos desejando mais e mais: mais tempo… mais vida!
A vida só faz sentido se amarmos, se tocarmos o coração de alguém ou de vários “alguéns”.
E isso é coisa “deste mundo”!
Deste universo do mundo feminino, mundo humano, mundo de sentimentos, sempre prestes a explodir.
…E isso é o que dá sentido à nossa vida…!
E envolvidas até a alma com sentimentos, muitas de nós, mulheres encontramos pelo caminho a aids. Em busca de viver a vida, nos deparamos com a morte.
Morte que aconteceu para muitas mulheres, para seus companheiros, seus filhos, seus amigos, seus ídolos, enfim, muito sofrimento encontramos nestas caminhadas cheias de adversidade, mas como não poderia ser diferente, encontramos muita força pra vencer e prosseguir.
Muitas mulheres saíram do conforto de seus lares em busca do fortalecimento de si mesmas, da força e da coragem para reagir e lutar.
E com este grupo de mulheres vivendo com HIV e aids nasceu a união com outros grupos multiplicando a força na luta para diminuir a falta de informação, pela não discriminação do portador e contra o preconceito nesta grande luta contra a aids. O amor foi, com certeza, um dos motivos que me levou e nos levou, a participarmos desse movimento.
A partir da própria infecção pelo vírus HIV e das experiências de cada mulher, vivi e vivemos hoje a experiência de ativismo. Hoje não buscamos apenas saúde, mas também lutamos pelos direitos humanos, pelos direitos sexuais e reprodutivos, pelo direito de vivenciarmos a orientação sexual, lutamos por moradia, por qualidade de vida e principalmente, lutamos pela melhoria do atendimento a saúde, pela melhoria na qualidade dos serviços públicos de saúde, lutamos pela distribuição ininterrupta dos antirretrovirais, lutamos por leitos nos hospitais, enfim lutamos pela “cidadania”.
E como toda Mulher é cuidadora por natureza, trabalhamos em parcerias pela prevenção ao HIV. Inseridas em espaços de representações governamentais, em ONGs, em pequenos municípios, em locais distantes e desprovidos de tudo, nos sertões, no interior nas capitais, unidas ao grande movimento de aids no Brasil e no Mundo, vamos levantando nossa bandeira de Cidadãs!
Mulher brasileira, nem sempre em primeiro lugar, mas viva, forte, ativa e ativista!
“É o que faz com que ela (a vida):
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira e pura…
Enquanto durar.”
Cora Coralina.
Feliz Dia das Mulheres.
Silvia Almeida é ativista, integrante do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas e técnica na área de responsabilidade social da minedora Anglo American.
Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Aids são de inteira responsabilidade dos colaboradores e não expressam obrigatoriamente as opiniões desta agência.
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