16 de setembro, Dia Mundial do Preservativo Feminino. Simone Martins é coordenadora de projetos da Semina

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Por Simone Martins

Em 2011, várias organizações internacionais e ativistas de diversos países decidiram que o preservativo feminino deveria ter um dia seu! Após idas e vindas, o dia 16 de setembro foi escolhido como o Dia Mundial do Preservativo Feminino.

Para celebrar este dia, organizações de diversos países, como Holanda, Estados Unidos, Quênia, Zimbábue, dentre outros, estão planejando diferentes atividades, que vão desde a conscientização de clientes em salões de beleza até a exibição de filmes que abrirão momentos de discussão com a plateia.

E aqui no Brasil, que, aliás, tem um dos maiores programas de distribuição gratuita de preservativo feminino do mundo?

O que podemos fazer para que este insumo passe a ser mais conhecido, mais solicitado, mais usado?

Já se vão 13 anos desde que o preservativo feminino desembarcou em terras brasileiras. Em 1997, a versão de poliuretano foi introduzida no mercado. Em 2000, o Ministério da Saúde fez a primeira importação para distribuição gratuita no setor público. Em 2012, com a substituição da versão de poliuretano (aquele que fazia “barulho”) pela borracha nitrílica, o Ministério da Saúde adquiriu 20 milhões de preservativos femininos.

Praticamente nos primeiros 10 anos do programa de distribuição do preservativo feminino, somente cinco populações prioritárias tinham acesso ao insumo. Certamente, essa tática foi bastante válida já que havia uma urgência em desenvolver estratégias específicas paras as chamadas “populações de risco”. Por exemplo, o preservativo feminino foi, e é até hoje, um instrumento de trabalho para as profissionais do sexo, uma vez que dá autonomia para que ela se proteja, independente das condições físicas do cliente. Além disso, ela pode trabalhar durante o período da menstruação, uma vez que o preservativo feminino retém o fluxo enquanto estiver colocado.

No mês passado, participei do Congresso DST9/AIDS5, em Salvador, quando tive a oportunidade de acompanhar algumas discussões sobre o preservativo feminino. Confesso que fiquei bastante entusiasmada com a possibilidade de ampliação da oferta do insumo para mulheres e homens que simplesmente querem usar o preservativo feminino para protegerem-se de uma DST e/ou prevenir gravidez.

Precisamos definitivamente parar de colocar obstáculos no acesso ao insumo que já carrega tantos estigmas. Precisamos sim de campanhas educativas que reforcem a dupla proteção do preservativo feminino (prevenir DST e gravidez), o fato de ser feito de um material antialérgico, de poder ser colocado antes da relação sexual, ou seja, que não depende da ereção do pênis!

Mais importante ainda, que o preservativo feminino possibilita que a mulher converse com seu parceiro a respeito da vida sexual de ambos. Sabemos que quando a mulher domina um assunto, ela é capaz de convencer seu parceiro do que é melhor para os dois.
Enfim, que as mensagens deste dia reverberem em muitos países, inclusive aqui no Brasil, para que este insumo seja cada vez mais conhecido e faça parte do nosso dia a dia.

Simone Martins é coordenadora de projetos da Semina, distribuidora do preservativo feminino "Della" no Brasil. Já trabalhou para a SUPPORT, uma organização financiada pela The Female Health Company, fabricante do preservativo feminino de borracha nitrília; e para a DKT, onde ocupou o cargo de Gerente de Produto da 1ª. geração do preservativo feminino no Brasil.

Os artigos publicados pela Agência de Notícias da Aids são de inteira responsabilidade dos colaboradores e não expressam obrigatoriamente as opiniões desta agência.


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