A história da vacina começou com Edward Jenner, que nasceu na Inglaterra, em 1749. Com apenas treze anos de idade, já ajudava um cirurgião. Logo depois formou-se em medicina em Londres, e, em seguida realizou experimentos relativos à varíola, que, na época, era uma das doenças mais temidas pela humanidade. A varíola matava cerca de 400 mil pessoas por ano.

Em 1789, ele começou a observar que as pessoas que ordenhavam vacas não contraíam a varíola, desde que tivessem adquirido a forma animal da doença. O médico extraiu o pus da mão de uma ordenhadora que havia contraído a varíola bovina e o inoculou em um menino saudável, James Phipps, de oito anos, em 4 de maio de 1796. O menino contraiu a doença de forma branda e, em seguida, ficou curado.

Em 1º de julho, Jenner inoculou no mesmo menino líquido extraído de uma pústula de varíola humana. James não contraiu a doença, o que significava que estava imune à varíola. Estava descoberta a primeira vacina com vírus atenuado que, em dois séculos, erradicaria a doença. Inclusive, a palavra vacina vem justamente de Variolae vaccinae, nome científico dado à varíola bovina.

 

A vacina no Brasil 

Em meados de 1904, chegava a 1.800 o número de internações devido à varíola no Hospital São Sebastião. Mesmo assim, as camadas populares rejeitavam a vacina, que consistia no líquido de pústulas de vacas doentes. Afinal, era esquisita a idéia de ser inoculado com esse líquido. E ainda corria o boato de que quem se vacinava ficava com feições bovinas.

No Brasil, o uso de vacina contra a varíola foi declarado obrigatório para crianças em 1837 e para adultos em 1846. Mas essa resolução não era cumprida, até porque a produção da vacina em escala industrial no Rio só começou em 1884. Então, em junho de 1904, Oswaldo Cruz motivou o governo a enviar ao Congresso um projeto para reinstaurar a obrigatoriedade da vacinação em todo o território nacional. Apenas os indivíduos que comprovassem ser vacinados conseguiriam contratos de trabalho, matrículas em escolas, certidões de casamento, autorização para viagens etc. Tal fato gerou o momento histórico conhecido com a Revolta da Vacina.

Após intenso bate-boca no Congresso, a nova lei foi aprovada em 31 de outubro e regulamentada em 9 de novembro. Isso serviu de catalisador para um episódio conhecido como Revolta da Vacina. O povo, já tão oprimido, não aceitava ver sua casa invadida e ter que tomar uma injeção contra a vontade: ele foi às ruas da capital da República protestar.

Por isso, é possível perceber que a desconfiança quanto a vacinas existe há quase tanto tempo quanto as próprias vacinas modernas.

No passado, as suspeitas eram relacionadas à religião, à percepção de que as vacinas eram anti-higiênicas ou à sensação de restrição à liberdade de escolha.

A Revolta da Vacina de 1904, no Rio de Janeiro, se seguiu à campanha obrigatória de vacina contra a varíola, implementada pelo epidemiologista e sanitarista Oswaldo Cruz.

Antes disso, ainda no século 19, surgiram no Reino Unido as chamadas ligas antivacina, que pressionavam por medidas alternativas de controle de doenças, como o isolamento de pacientes.

 

Impacto da vacinação no mundo 

No último século, a imunização ajudou a reduzir drasticamente o impacto de doenças.

Cerca de 2,6 milhões de pessoas morriam, a cada ano, de sarampo no mundo, até que a primeira vacina contra a doença fosse criada, nos anos 1960. A vacinação levou à redução de 80% nas mortes por sarampo entre 2000 e 2017 no planeta, segundo a OMS.

E não faz muito tempo que milhões de crianças corriam o risco real de morrerem ou sofrerem paralisia por conta da poliomielite. Hoje em dia, essa doença foi praticamente extinta.

A corrida da vacina 

A pandemina do novo coronavírus deu origem a um novo momento histórico, o da corrida da vacina. A urgência de uma forma de prevenção à Covid-19 fez com que laboratórios de diferentes países do mundo entrassem em uma corrida para produção de sua própria vacina e movimenta a esperança que as pessoas possam retomar suas atividades.

Mais de 12,3 milhões de pessoas de quase 50 países foram vacinadas com doses de imunizantes aprovados para uso emergencial ou definitivo. Esse total é equivalente a pouco mais do tamanho da população do Estado do Amazonas, por exemplo. O Brasil não tem previsão de iniciar seu programa de imunização.

O monitoramento é feito pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e pode ser acompanhado no portal Our World in Data por meio deste link aqui.

Entre os países que já iniciaram seus programas de imunização aparecem México, Costa Rica, Chile, China, Emirados Árabes Unidos e os 27 membros da União Europeia. Mas nem todos os dados dos países do bloco europeu estão disponíveis nesse portal.

 

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações