Médicos da APS (Atenção Primária à Saúde), que atendem nas unidades básicas de São Paulo, decidiram entrar em greve na quarta-feira (19) e manter estado de mobilização permanente. A decisão foi tomada em uma assembleia na noite desta quinta-feira (13). As informações são da Folha.

Com equipes desfalcadas por conta do afastamento de profissionais infectados com a Covid-19, eles pedem à Prefeitura de São Paulo e à Secretaria Municipal de Saúde a realização de uma reunião com o sindicato da categoria profissional, uma resposta para a reestruturação das equipes desfalcadas e um plano de reposição dos profissionais afastados.

Segundo o Simesp (Sindicato dos Médicos de São Paulo), a “categoria exige diálogo com a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde e a contratação imediata de mais profissionais da saúde”O sindicato estabeleceu a próxima 2ª feira (17.jan) como limite máximo para que haja essa conversa. Caso contrário, a greve será mantida.

O sindicato diz que, com a pandemia, os médicos têm “sofrido com intensificação da sobrecarga, retirada de direitos e exploração”.

As reivindicações aprovadas na assembleia de 5ª feira (13.jan) foram:

  • contratação imediata de mais equipes para o atendimento de síndromes gripais;
  • garantia de condições mínimas de trabalho;
  • desobrigação do comparecimento em fins de semana e feriados;
  • retomada dos espaços de discussão entre o sindicato e a Prefeitura.

Em nota, a Secretária Municipal da Saúde diz ver com “estranheza a atitude do Sindicato dos Médicos em decretar uma greve” neste momento. “Durante estes dois anos de pandemia, foi criada uma mesa técnica com reuniões semanais, em que o Sindicato dos Médicos teve assento e participou de inúmeras discussões”, declara o órgão.

A secretaria afirma ter atendido solicitações dos médicos, como “pagamento de 50% do banco de horas extras, além do pagamento de horas extras na folha mensal”. O órgão diz ter contratado 280 novos profissionais e autorizado a contratação de mais médicos e enfermeiros.

Segundo a secretaria, foi marcada na 5ª feira (13.jan) uma reunião entre o sindicato e o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, para a próxima 4ª feira (19.jan). “Na noite do mesmo dia, de forma surpreendente, a diretoria do sindicato comunicou a greve”, afirma o órgão.

“Não é a primeira vez que o sindicato toma essa atitude. Já anunciou greve em outros momentos de difícil enfrentamento da pandemia. Vale ressaltar que os médicos e profissionais da saúde foram responsáveis e ficaram ao lado da população.”

Carta Aberta

O Simesp e mais sindicados que representam profissionais da saúde divulgaram carta aberta na 5ª feira (13.jan) alertando para a sobrecarga de trabalho ao longo dos últimos 2 anos.

“Acreditamos que, durante o curso de emergências sanitárias, a reorganização do atendimento à população seja fundamental e apoiamos estratégias de ampliação e readequação do atendimento”, escrevem. “Contudo, a execução falha (e descolada de argumentos científicos) dessas estratégias é deletéria tanto para a população quanto para profissionais de saúde.”

Além do Simesp, assinam a carta: SINPSI (Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo), SINFAR (Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de São Paulo), SinSaudeSp (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de São Paulo), SINDINUTRI (Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo), SEESP (Sindicato dos Enfermeiros do Estado de São Paulo) e Sindicomunitário/SP (Sindicado dos Agentes Comunitário de Saúde do Estado de São Paulo).

Segundo os sindicatos, a sobrecarga é um problema anterior à pandemia, mas que se agravou com a disseminação do Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19.

“Apesar da elevação exponencial do número de atendimentos, nunca foi oferecido, por parte da prefeitura ou de OSS [organizações sociais de saúde] parceiras, a contratação de profissionais extras para auxiliar no enfrentamento à pandemia”, declaram os signatários.

“Pelo contrário, os funcionários responsáveis pela vacinação, coleta de PCR para covid-19 e atendimento a pacientes com síndrome gripal foram realocados de outras funções nas UBSs [unidades básicas de saúde], deixando profissionais de todos os setores sobrecarregados e a população sem atendimento adequado.”

Além da sobrecarga, os sindicatos dizem que “faltam insumos mínimos para atendimento de qualidade à população”. Segundo eles, não há quantidade suficiente de medicamentos para tratar duas doenças coexistentes (covid e influenza) e há escassez de equipamentos básicos, como lençol, oxigênio e luvas.

“Ironicamente, mesmo com toda falta referida acima, a cobrança por metas de atendimento gerais e de alguns programas, como atenção a gestantes, voltaram de maneira truculenta. Em adição, contrariando as recomendações de distanciamento social, foi-nos imposta a retomada das atividades em grupos, o que aumenta a contaminação dos participantes”, afirmam.

A Secretaria Municipal da Saúde diz que “os estoques de insumos estão regularizados e autorizou as OSSs a adquirir itens emergenciais neste momento de pressão que a pandemia provoca no sistema de saúde do município”.

 

Agência de Notícias da Aids com informações