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Jovens revelam em livro como é viver com HIV/aids nas escolas e entre amigos
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19/10/2013 - 10h

“Minha mãe contou ao diretor, que fez uma reunião contando para todos os professores... Eu me senti horrível, pois os professores me tratavam como se eu fosse de açúcar, até me tiravam de algumas atividades com piscina, corrida etc.” O depoimento é de um jovem de 16 anos, que vive com HIV e tem problemas de relacionamento na escola em que estuda, em São Paulo, por conta do preconceito. Ele faz parte do Manual de SobrevHIVência, uma espécie de diário escrito por 13 jovens da ONG Anima, da capital paulistana, contando como é para um soropositivo conviver com professores, colegas, diretores e demais pessoas nas escolas. O manual está sendo lançado neste sábado (19 de outubro) e também traz depoimentos de familiares de estudantes com HIV, médicos, educadores, além de refexões e dicas dos próprios autores.

“Contei para um amigo, que contou para a namorada, que contou para o amigo dela, que não me suportava e acabou me zoando e me ofendendo, usando o HIV como arma” é outro depoimento, desta vez de um jovem do Espírito Santo, também de 16 anos. Com dezenas de relatos como esses, o lançamento do livro, hoje, acontece das 13 às 15 h, na sede da Anima, na Avenida Otacílio Tomanik, 1.569, no bairro Rio Pequeno, perto da Universidade de São Paulo (USP).

Ao longo de suas 96 páginas, o manual vai alinhavando circunstâncias que mostram a realidade atual dos jovens soropositivos. Para isso, os autores deram suas respostas a um questionário que serviu de base para a organização da edição. Na primeira parte, respondem perguntas como: Você já viveu alguma situação de preconceito na sua escola? Já contou para um amigo que é soropositivo? Se contou, sofreu discriminação ou foi excluído? “Eu não tomo meus remédios na escola, porque tem muitos fofoqueiros”, conta um estudante do Rio de Janeiro.

Olhar sem censura

“Tudo o que está no manual foi decidido pelos jovens”, conta Renata Godinho Brandoli, organizadora do projeto. “Algumas decisões consumiram dias de discussão, como a do conceito da capa. Eles quiseram colocar a ilustração da menina com a tarja no rosto escrito AIDÉTICA. Eu, que estou no movimento da aids há muito tempo e acompanhei a luta dos ativistas para que esse termo deixasse de ser usado, questionei muito se era isso mesmo o que eles queriam. Eles bancaram, com o argumento de que, ainda hoje, é assim mesmo que as pessoas portadoras do vírus são chamadas.”

Assim, respeitando em sua totalidade o olhar e a informação dos jovens autores, o projeto acabou atraindo a participação de adolescentes que não são soropositivos mas convivem com pessoas que são. Seja como for, quase todos têm a identidade preservada. Entre os 13 jovens, somente Filipe Trindade, de 20 anos, talvez o mais velho deles, quis se identificar. Ele está na Anima, segundo Renata, desde bem pequeno e sofreu muita discriminação, como conta no depoimento publicado em forma de diário, no fim do livro. “Neste tempo, eu já andava de skate, fui fazer uma manobra e acabei quebrando a clavícula, ficando, assim, afastado da escola chamada Emydio de Barros ...Vou ser sincero: fiquei longe da escola porque peguei uma pneumonia, provavelmente de uma gripe forte. E sabe por que vivia internado? Por não ser aderente aos meus remédios.”

Filipe também conta que hoje toma os medicamentos de forma correta. “Mas ainda preciso melhorar.” E publica no livro um rap de sua autoria, chamado Rap da Adesão.

Com tiragem de 5 mil exemplares, o Manual de SobrevHIVência foi feito no segundo semestre de 2012. “Nós nos reuníamos todos os sábados para isso”, conta Renata. Patrocinado pelo Programa Municipal de DST /Aids de São Paulo, estará disponível em todas as bibliotecas públicas da cidade de São Paulo, nos Serviços de Atendimento Especializados (SAEs), no Centro de Referência e Tratamento em DST/Aids de São Paulo e no Programa Municipal de DST/Aids.

Fátima Cardeal





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