Participando de uma mesa com representantes de outros países emergentes (China, África do Sul e Índia), o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, disse, em Washington, que os Estados Unidos deveriam fazer como o Brasil e criar um sistema universal de saúde.
“O acesso à saúde é um direito de todos no Brasil. Temos mais de 100 milhões de pessoas usando gratuitamente nossos serviços públicos de saúde”, disse Dirceu, provocando aplausos na plateia.
Dr. Dirceu iniciou seu discurso afirmando que os países emergentes têm várias características em comum, como, por exemplo, o grande número de pessoas que não podem pagar por serviços de saúde.
Ao falar da estruturação do programa brasileiro de combate à aids, ele enfatizou a participação da sociedade civil e das pessoas vivendo com HIV nas tomadas de decisões. “Aqueles que faziam parte dos problemas nos ajudaram a pensar nas estratégias”, comentou.
Segundo o infectologista, a resposta à aids no Brasil se tornou uma política de Estado e não de governo, por isso o País
País vive de glorias do passado, diz ativista
Durante uma sessão especial sobre HIV na América Latina, ocorrida minutos antes do debate sobre as responsabilidades dos países emergentes no enfrentamento da pandemia, o pesquisador e ativista Jorge Beloqui protestou contra os “recentes retrocessos” da política brasileira de combate à aids.
Segundo Beloqui, o País está perdendo vários leitos especializados no atendimento das pessoas com HIV e aids, como os oferecidos pela Casa da Aids na cidade de São Paulo; e vetou, com a influência da Presidência da República, o kit anti-homofobia nas escolas e as campanhas de prevenção ao HIV destinadas aos homossexuais no Dia Mundial de Luta contra a Aids e no Carnaval.
“A resposta brasileira contra a aids está vivendo de glorias do passado... Queria ter protestado também durante esta mesa (que teve a participação do diretor Dirceu Greco), mas infelizmente não foi aberta para comentários do público”, disse à Agência de Notícias da Aids.
consegue manter as bases do programa de aids mesmo com as mudanças de ministros e presidentes.
Ele citou ainda a liderança do Brasil ao passar a fabricar nacionalmente alguns antirretrovirais e preservativos, ao decretar a licença compulsória do Efavirez e ao apoiar financeiramente Moçambique na construção de uma fábrica de medicamentos antiaids naquele país africano.
“Nós, dos países aqui reunidos, precisamos manter um intercâmbio frequentes para troca de experiências e tecnologias na área da saúde”, propôs.
Por fim, ele citou, entre os principais desafios do Brasil, o combate ao estigma e a discriminação contra os soropositivos e a busca constante para melhorar o atendimento às pessoas com HIV desde o momento em que elas se descobrem infectadas com o vírus da aids.
Sobre a distribuição ininterrupta dos medicamentos antirretrovirais no País, Dirceu disse que “tem conseguido dormir ultimamente”, referindo-se ao fato de que hoje não há nenhum problema na oferta dos remédios contra a aids.
Participaram também do debate representando seus respectivos países, o ex-presidente sul-africano Kgalema Petrus Motlanthe e a ministra da Saúde da Índia, Ghulam Nabi Azad. O economista norte-americano Jeffrey Sachs, da Universidade de Columbia, ajudou na intermediação das discussões.
Lucas Bonanno, de Washington A Agência de Notícias da Aids faz a cobertura da Conferência Internacional de Aids em Washington em parceria com o portal UOL, Rede Cultura, Rádio Estadão/ESPN, Voz da América e Rede de Comunicação Oboré.
Esta cobertura tem apoio da Anglo American, Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa do Brasil), laboratório MSD e Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Durante o evento, está também sendo produzido um documentário sobre o trabalho das ONGs internacionais com apoio da mineradora Anglo American e do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).