Na semana de luta contra a LGBTFobia, as unidades do Senac São Carlos, Vila Prudente, Limeira e Francisco Matarazzo estão recebendo ativistas da luta pelos direitos humanos para debater o universo LGBTI+. Em parceria com a Agência Aids, o Senac tem levado aos alunos rodas de conversa sobre a importância do respeito à diversidade e a inclusão, temas cada vez mais essenciais para o desenvolvimento da sociedade.

Os eventos acontecem em alusão ao Dia Internacional contra a Homofobia, comemorado nesta sexta-feira (17). A data foi escolhida porque, em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) excluiu a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). Ficou reconhecido que este comportamento é apenas um traço da personalidade, não um distúrbio da mente.

O dia não marca apenas a luta dos homossexuais, mas também dos transgêneros, travestis e bissexuais. Apesar de todos os avanços alcançados nos direitos dos LGBTs, a data não é uma comemoração – serve para a conscientização.

“Agradecemos a sensibilidade dos profissionais do Senac que abriram espaço em suas unidades para conversarmos sobre este tema”, disse Roseli Tardelli, diretora da Agência de Notícias a Aids.

O ciclo de debates começou na quinta-feira (9), na unidade São Carlos, com a presença irreverente da Drag Quen Dindry Buck, do Esquadrão das Drags. Dindry defendeu os direitos da população LGBTI+ e de forma descontraída explicou que a drag tem o poder do lúdico e do humor nas mãos. A informação atinge o outro no fundo de uma forma despretensiosa.”

Dindry conversando com os alunos no Senac Limeira

A Unidade Vila Prudente recebeu, nessa terça-feira (15), os ativistas Luiz Fernando Uchoa, jornalista e homem trans, e Brunna Valin, assistente social e militante pelos direitos das pessoas LGBTI+. Eles compartilharam com os alunos histórias sobre o universo trans e suas vivências. E defenderam a importância do respeito à identidade de gênero e orientação sexual.

Brunna Valin chamou atenção do público com sua história de agressões e superação. O relato que mais surpreendeu a todos trouxe a história onde uma vez, depois de ter feito uma performance na escola, lá por seus 14 anos, seu pai em casa a agrediu fisicamente e obrigou-a a sair nua pela rua, andou com ela duas vezes pelo quarteirão aonde ficava a casa em que a família morava e falava alto para todos ouvirem: “você é um homem, um menino”. “ Me senti tão agredida que depois desta situação resolvi seguir meu caminho. Cresci, me empoderei, perdoei meu pai. Conto esse episódio para as pessoas perceberem que preconceito não cabe em nenhuma situação e para que tenham horror a qualquer tipo de preconceito.”

A equipe do Senac Vila Prudente junto com Brunna Valin e Luiz Uchoa

Luiz Uchoa, militante há mais de 20 anos, disse que é preciso investir mais na educação da população trans. “As escolas muitas vezes não respeitam se quer o nome social. Para terminar a graduação tive que ser outra pessoa, o Luiz não exisita e isso me dói até hoje. O mercado de trabalho nem sempre está aberto para acolher nossa população. Nós, LGBTI+ muitas vezes ocupamos os piores postos de trabalho com os piores salários.”

Dezenas de preservativos foram distribuídos aos alunos

Entre os países que realizam levantamentos sobre LGBTFobia, o Brasil é o país que mais mata pessoas por homofobia e transfobia. Foram 445 mortos em crimes motivados por ódio e discriminação em 2017, segundo estudo do Grupo Gay da Bahia (GGB). Essa pesquisa se baseia principalmente em informações veiculadas pelos meios de comunicação. O fenômeno pode ser ainda maior, uma vez que muitos casos não chegam à mídia. Segundo dados de pesquisa da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA), a cada 24h uma pessoa LGBT é assassinada no Brasil apenas pelo fato de ser quem é.

Brunna, Roseli e Luiz antes do Bate-Papo

Nesta quarta-feira (15), foi a vez dos alunos do Senac Limeira receber Roseli Tardelli e Dindry Buck para o bate-papo. O ciclo vai terminar na sexta (17), na Unidade Francisco Matarazzo, com a presença de Alexandre Peixe, Ariadne Ribeiro e Rawena Beatriz.

 

 

Dica de Entrevista

Roseli Tardelli

Tel.: (11) 3266-2107

Redação da Agência de Notícias da Aids