A baixa procura pela vacinação contra o HPV tem preocupado as autoridades da Saúde no Amapá. De acordo com a Central de Abastecimento de Imunobiológico do estado, pouco mais de 18 mil adolescentes receberam as duas doses da vacina, o que representa uma queda de 43,83% na cobertura em comparação a 2017, quando mais de 32 mil foram vacinados.

Em Macapá, os números refletem a realidade no estado. Ano passado foram 9,2 mil vacinas aplicadas no público-alvo, sendo que, para que o medicamento não fosse desperdiçado, o público foi ampliado.

Para a coordenadora de imunização da capital, Jorsette Cantuária, ainda há muita desinformação a respeito da vacina, somado ao fato do adolescente, costumeiramente, não tomar vacinas.

“Eles [adolescentes] não têm esse costume de se vacinar, mesmo já tendo idade para ter consciência da importância da imunização. Somado isso a desinformação sobre o assunto gera essa baixa procura”, explicou.

Jorsette ressalta que, como uma forma de driblar o problema, a prefeitura vai repetir a medida adotada em 2016, quando as primeiras doses eram aplicadas dentro da sala de aula.

“Em 2016, levamos as primeiras doses às salas de aula, isso fazia com que muitos adolescentes se vacinassem. Já a segunda doze, que deveria ter sido aplicada seis meses depois, poucos repetiram, isso porque eles deveriam ir às UBSs e muitos não foram. A nossa proposta é levar neste ano as duas doses para as escolas municipais que a adesão seja maior”, contou.

Prevenção

HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano. São vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas oral, genital ou anal, tanto de homens quanto de mulheres – provocando, segundo o Ministério da Saúde, verrugas na região genital e no ânus, além de câncer, a depender do tipo de vírus.

A vacina é a principal forma de prevenção contra o HPV, que é o vírus sexualmente transmissível mais comum que existe no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O HPV é responsável por 99% dos casos câncer de colo de útero, é o terceiro mais frequente entre as mulheres no país, o quarto que mais mata – e um dos poucos que podem ser prevenidos com vacina.

De acordo com o Ministério da Saúde, os adolescentes devem tomar duas doses da vacina contra o HPV, com intervalo de seis meses entre elas. No Brasil, desde 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente a vacina contra o HPV para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

Nos homens, o HPV causa tumores de pênis, garganta e ânus. Altamente contagioso, muitas vezes assintomático e sem cura, ele é transmitido principalmente durante a relação sexual sem proteção, mas também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto.

Fonte: G1