23/07/2019 - 17h13
IAS 2019: Brasil pretende mudar protocolo e permitir que mulheres com possibilidade de engravidar tomem dolutegravir

A segurança do medicamento dolutegravir durante a gravidez, tem sido uma das questões mais debatidas por cientistas desde a 22ª Conferência Internacional de Aids (Aids 2018), em Amsterdam, onde dados do estudo Tsepamo em Botsuana sugeriram que o uso de dolutegravir no início da gravidez pode estar ligado problemas do tubo neural, e problemas congênitos sérios no cérebro e na coluna do bebê. “Uso de Dolutegravir por mulheres grávidas ou que pretendem engravidar é uma das questões mais urgentes para a ciência, defendem especialistas”, defendem especialistas.  

Como resultado, alguns países interromperam seus planos para tornar os tratamentos baseados em dolutegravir sua terapia de primeira linha preferida. A Organização Mundial de Saúde (OMS) também emitiu uma nota solicitando cautela sobre o uso de dolutegravir por mulheres em idade fértil como parte de seu tratamento.

No entanto, durante a 10ª Conferência do IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2019), uma pesquisa adicional de Botswana descobriu que o risco dos problemas ligados ao tubo neural é menor do que o sinalizado no ano passado. Para ajudar os médicos e gestores a agir de acordo com essas descobertas, a OMS publicou recomendações atualizadas sobre a terapia antirretroviral e o uso do dolutegravir.

Brasil

 

Durante sua apresentação, Fernanda, do Ministério da Saúde, esclareceu os principais pontos referentes à pesquisa feita no Brasil com o objetivo de entender os riscos do dolutegravir à saúde da mulher.

Fernanda esclareceu ainda que o objetivo da pesquisa é fornecer uma resposta à população e ao trabalho que já foi exercido até aqui, uma vez que o dolutegravir é medicamento de primeira linha no Brasil. No país, das 570.176 pessoas em tratamento antirretroviral, cerca de 112 estao em dolutegravir. “Começamos a investigar cada mulher com HIV que ficasse grávida. Assim, mais de 3 mil mulheres foram acompanhadas.”

Assim, 3390 mulheres participaram do estudo. Deste total, 382 faziam uso apenas do dolutegravir, sem interferência de outro antirretroviral. E, descontando o número de abortos, nos 1452 nascimentos, não foram encontrados nenhum caso de deficiência no tubo neural.

Os estudos, portanto, mostram que os benefícios obtidos com tratamento mais seguro, mais eficiente e com todas as vantagens do dolutegravir, compensam os baixos riscos apresentados e, por isso, o país pretende modificar o protocolo que impede que mulheres com possibilidade de engravidar façam uso deste medicamento. 

 

Decisão da mulher

“O envolvimento da comunidade, incluindo a contribuição de mulheres que vivem com o HIV, desempenhou um papel fundamental na atualização dessas recomendações e será fundamental para implementá-las”, disse Jacque Wambui, do Conselho Consultivo da Comunidade Africana no Quênia. “Acessar o tratamento é um direito fundamental.”

“Apresente os medicamentos, deixe a mulher saber dos riscos e deixe ela decidir qual medicamento quer tomar. Nove milhões de mulheres vivem com HIV na África Subssaariana e precisaram esperar por 50 meses até que houvesse a possibilidade de tomar o dolutegravir”,  explica Jacque. 

Por isso, os especialistas concordaram que “a implementação de uma estrutura para responder aos sinais de segurança é necessária para assegurar que qualquer droga usada na gravidez possa ser rápida e apropriadamente avaliada caso surja um alerta de segurança grave. De qualquer forma, requer a existência de sistemas de vigilância apropriadamente planejados com ampla cobertura populacional, além de análises de dados que examinam os riscos e benefícios em uma variedade de contextos, envolvimento da comunidade afetada e outras partes interessadas importantes, e um plano de comunicação para todos os níveis de conhecimento e complexidade.” 

 

Jéssica Paula (jessica@agenciaaids.com.br)

 

A Agência de Notícias da Aids cobre a 10ª Conferência do IAS sobre Ciência do HIV (IAS 2019) com o apoio do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente transmissíveis.

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