França e Bélgica se enfrentam na tarde dessa terça-feira (10). Quem vencer a disputa, tem chances de ser o próximo campeão mundial. Faz quase dois anos que a Bélgica não perde. Já a França, foi campeã do mundo contra o Brasil, em 1998.

Na luta contra aids, a Bélgica sai na frente. Lá, em 2015, quase 16 mil do 18 mil soropositivos estavam em tratamento. Neste mesmo ano, o número de novos diagnósticos diminuiu 4,7% em relação a 2014.

Já na França, uma em cada cinco pessoas vivendo com o HIV não sabe o seu estado sorológico. A maioria das novas infecções no país ocorre entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens.

França

Cerca de 6 mil pessoas receberam o diagnóstico positivo para o HIV, em 2016, na França, um número que segue estável desde 2007. A maior prevalência neste país é entre homens que fazem sexo com homens (HSH), o que representa 17,7%. Os dados são do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids (Unaids). Entre os usuários de drogas injetável, a prevalência é de 10%.

Uma em cada cinco pessoas vivendo com o HIV não sabe o seu estado sorológico. A maioria das novas infecções por no país ocorre entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens.

Em 2013, o presidente da organização não governamental francesa Aides, Jean-Marie Le Gall, apresentou resultados de um estudo que testou 20 mil pessoas para o HIV, na França. Entre os HSH brancos, 1,73% dos resultados foram positivos.

Já na população de gays que vivem em comunidades de imigrantes, a prevalência foi quase o dobro: 3,47%. Entre os imigrantes heterossexuais, a proporção de casos positivos encontrados foi de 0,8%, sendo 1,01% em mulheres e 0,73% entre homens.

Para Le Galll, o resultado comprovou que os imigrantes estão mais vulneráveis ao vírus da aids. “São pessoas que sofrem maior estigma e, consequentemente, têm menos acesso aos serviços de saúde e à testagem.”

O Unaids considera que este país desempenhou um papel fundamental na garantia global do acesso a medicamentos por meio de sua contribuição ao Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, do qual já doou mais de US $ 4,8 bilhões. A França também apoiou a criação da Unitaid, em 2006.

Esses investimentos produziram resultados substanciais. Através da solidariedade global, hoje, quase 21 milhões de pessoas têm acesso ao tratamento do HIV. Em 2016, 53% das pessoas que vivem com o HIV estavam em tratamento.

Mais números

* Habitantes: 66 milhões

* Pessoas vivendo com HIV/aids: cerca de 180 mil

* Taxa de prevalência em adultos maiores de 15 anos: 0,4%

* Mulheres maiores de 15 vivendo com HIV: de 52 a 63 mil

Sobre o país

A França está entre os países mais ricos e desenvolvidos do mundo. Na Europa, ocupa o terceiro lugar entre as economias do continente, superada somente pela Alemanha e pelo Reino Unido. A população francesa tem uma boa qualidade de vida, apresenta bons indicadores sociais. Além disso, a renda per capita é uma das melhores do mundo. A constituição francesa concede o direito de culto no país, onde as religiões são divididas entre: catolicismo (maioria), agnosticismo, ateísmo, islamismo, protestantismo e judaísmo.

Uma das ONGs/aids mais conhecidas na França é “Act up”, que desde aos anos 1990 luta pela prevenção do HIV e tratamento da aids. A história deste grupo foi retratada no filme ‘120 Batimentos por Minuto’.

A atuação do Act Up foi marcante para que a população obtivesse mais informações sobre o HIV e a sua transmissão. O grupo teve, por exemplo, grande importância na reivindicação do acesso aos antirretrovirais, que garantem o tempo e a qualidade de vida de pessoas soropositivas hoje em dia.

 

Bélgica

Na Bélgica, a presença de casos de HIV/aids entre adultos, de 15 a 49 anos, é de 0,2%, ou seja, em torno de 18 mil belgas vivem com a doença no país. A prevalência entre homens que fazem sexo com homens (HSH) é de 12,3%, entre os profissionais do sexo é de 0,7% e 2% entre os usuários de drogas injetáveis.

Em 2015, quase 16 mil soropositivos estavam em tratamento. Neste mesmo ano, o número de novos diagnósticos diminuiu 4,7% em relação a 2014.

A Bélgica deu um passo à frente na sua resposta à aids com o lançamento de seu primeiro Plano Estratégico Nacional para o HIV, em 2013. A própria Rainha Matilde acompanhou sua formulação e o lançamento. O planejamento 2014-2019 tem três pilares centrais: prevenção do HIV, testes e tratamento e cuidado e apoio. O plano aborda um contexto no qual mais de mil novas infecções por HIV estão sendo relatados a cada ano. E prioriza as populações mais afetadas, incluindo homens que fazem sexo com homens (HSH) e trabalhadores migrantes. Apesar de o número de pessoas que vivem com HIV na Bélgica ser considerado baixo, a taxa de novas infecções não tem diminuído nos últimos anos.

O Unaids elogiou a Bélgica por seu apoio de longa data e por sua liderança política na resposta global à aids. O país está entre os aliados mais fortes do Unaids em questões como a promoção dos direitos humanos no contexto do HIV, incluindo saúde e direitos sexuais e reprodutivos.

Mais números

  • População: 11,3 milhões de habitantes.
  • 17,20% da população têm 65 anos ou mais
  • 80% das pessoas com mais de 65 anos têm uma doença crônica
  • 85% daqueles com mais de 75 anos sofrem de três doenças crônicas.

 

Sobre o país

Nos pouco mais de 30 mil quilômetros quadrados do reino da Bélgica vivem mais de 10 milhões de súditos de sua majestade o Rei Philipe. Conhecido pela alta qualidade de vida e por teu um dos melhores sistemas de saúde do mundo, o pais possui expectativa de vida de 81 anos. O setor dos cuidados em saúde representava 11% do PIB. Desse total, 70% são pagos pelo poder público e 30%, por contribuição direta do usuário.

O país também tem uma política liberal em relação a costumes e a direitos humanos. Foi o segundo no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2003, e a adoção de tais casamentos em 2006. Desde 2001, o governo da Bélgica decidiu descriminalizar o consumo pessoal e a posse de pequena quantidade de maconha e a legislação em relação ao aborto permite a interrupção voluntária da gravidez até 12 semanas de gestação.

A Bélgica fica na Europa Ocidental e hospeda em seu território a sede da União Europeia. As duas maiores regiões da Bélgica são a de língua holandesa, na região dos Flandes ao norte, onde vivem 59% da população e a Frances, ao sul, habitada por 31% dos belgas. A região de Bruxelas é oficialmente bilíngue.

 

Redação da Agência de Notícias da Aids