Um documento divulgado nessa segunda-feira (10) pela Santa Sé diz que o Vaticano está aberto ao diálogo sobre questões de gênero com os jovens. Nessa linha, a liderança da Igreja Católica pede que haja separação entre ideologia e estudos.

“A Congregação para a Educação Católica, dentro de suas competências, tem a intenção de oferecer algumas reflexões que podem orientar e apoiar aqueles que estão empenhados em educar as novas gerações para tratar metodicamente as questões mais debatidas da sexualidade humana”, anuncia a entidade do Vaticano no documento.

No documento “Homem e Mulher Ele os criou”, a hierarquia da Igreja Católica afirma que está disposta a discutir as diferenças sexuais, mas com base em pesquisas, não na ideologia.

O texto foi publicado no mês em que o mundo relembra os 50 anos da revolta de Stonewall, marco da luta pelos direitos LGBT.

‘Saúde emocional e sexualidade’

O Vaticano procura abordar “uma verdadeira e própria emergência educativa, particularmente com relação a questões de saúde emocional e sexualidade”, diz o documento, assinado pelo cardeal Giuseppe Versaldi, prefeito da congregação.

Para a Igreja, “a desorientação antropológica” caracteriza o clima cultural do nosso tempo e contribui para “desestruturar” a família, com a tendência de anular as diferenças entre homens e mulheres, consideradas como meros efeitos do condicionamento histórico-cultural.

A congregação propõe três atitudes para tratar o assunto: ouvir, reflexão crítica e propostas. E adverte que a ideologia procura impor-se como “pensamento único” e, portanto, exclui o encontro.

“Não faltam pesquisas sobre gênero que buscam aprofundar adequadamente a maneira como se vive em diferentes culturas a diferença sexual entre homem e mulher. É em relação a estas investigações que é possível abrir-se à escuta, reflexão e proposta”, diz o texto.