Preparar a maior Parada LGBT do mundo não é fácil. São esperadas 3 milhões de pessoas para percorrer cerca de 5 km. Serão 18 trios elétricos, além de 8 eventos que acontecerão na mesma semana. Tudo isso organizado por um grupo de 20 pessoas. A rotina da APOGLBT se aperta um mês antes do dia 23 de junho, data do evento, mas é desde setembro do ano anterior, que os preparativos começam. “Além da Parada, temos nossos trabalhos. Nem todos conseguiram licença de seus empregos, então acabam fazendo uma jornada dupla”, conta Renato Viterbo, vice-presidente da APOGLBT, que entre dezenas de atendimentos, conseguiu um intervalo para falar com a Agência de Notícias da Aids. 

Devido à essa jornada, muitos dos organizadores acabam trabalhando de casa. Aqueles que conseguem estar presentes no escritório na ONG, no centro de São Paulo, se dividem em multitarefas, como atender aos telefones que não param de tocar e, principalmente, responder à dezenas de e-mails, em sua maioria de patrocinadores, apoiadores e fornecedores responsáveis pela estrutura física do evento.

O horário de trabalho dos integrantes da ONG nos dias que antecedem a Parada é de 9 da manhã às 21h, mas Renato sabe bem que as horas de produção vão pela madrugada. Ele conta que há dias em que praticamente não dorme. “Há noites que às 3h da manhã já estou de olhos acesos. Tem dia que às 5h da manhã já estamos respondendo e-mails.”

Por isso, é no período da tarde que a sala da APOGLBT ganha vida. Na parte da manhã, a maior parte dos colaboradores trabalham fora da associação. “Colocar a Parada na rua todo ano é uma dificuldade. Mas começamos os preparativos bem antes. A gente chega agora pensando que está tudo adiantado, mas ao longo do caminho você percebe que ainda é necessário fazer muito.” Renato conta que dentre os maiores desafios estão as burocracias de contratos entre com os patrocinadores e a preocupação com a segurança do evento. 

“Esse ano estamos esperando muito mais de 3 milhões de pessoas devido ao momento político atual, já que as pessoas aproveitam a Parada para buscar visibilidade. Esperamos um número tão grande quanto em 2017, que foi estimado em 5 milhões de pessoas.”

Em relação ao momento político, Renato vê com positividade o fato de as pessoasentenderem a importância de atos políticos como o que acontece na Parada. “Entendemos que foi um governo legitimamente eleito, mas que não foi eleito por sua maioria. Para nós, como movimento social, é muito importante que as pessoas estejam lá representando suas categorias, suas demandas para que mostrem que a força emana do povo.”

No dia do evento, Renato e grande parte da equipe já está às 5h da manhã ao lado dos trios, que vêm de outros estados apenas para a realização da Parada. Uma vez em São Paulo, eles saem da Av. das Nações e vão em direção à Av. Paulista. Ele acompanha a saída de cada carro e de cada bloco até o final. É no último trio elétrico que ele sobe e consegue vislumbrar a vista das milhões de pessoa do alto.

 

Histórico

A primeira Parada LGBT de São Paulo aconteceu no ano de 1996, na Praça Roosevelt. No ano seguinte, o movimento foi transferido para a Avenida Paulista, onde acontece até hoje. A quantidade de pessoas que vão à rua nesse dia não é exatamente uma novidade, desde 1999 o número já era significativo, cerca de 300 mil pessoas ocupavam a Avenida Paulista, já nessa data.

Clicando aqui, é possível ver um vídeo que conta as história das Paradas de São Paulo. “Aconteciam com um caráter mais de protesto mesmo. Hoje, ainda que algumas pessoas pensem que se trata de um carnaval fora de época, o fervo também é uma forma de luta. Chegamos a rever e repensar o conceito da Parada, estudamos o movimento europeu, o norte americano, mas foi unânime a vontade do movimento em manter os trios elétricos na avenida.”

Para Renato, ver a Parada apenas como carnaval é falta de conhecimento. Todas as pautas LGBTs que entram em discussão em algum momento, seja no STF, seja no Congresso Nacional, vêm da Parada de São Paulo, que escolhe um tema, o leva para a rua, as pessoas começam a refletir e, então começamos a batalhar. A união civil, por exemplo, foi um tema que levamos para as ruas já em 2002. A criminalização da homofobia também é um tema que falamos desde 2004. As pessoas estão livres para ir até a Parada protestarem da melhor maneira que acharem. Além de manifestação é uma festa.”

Renato defende que, hoje, a Parada abraça todos os movimentos. Para evidenciar essa inclusão, quem abre o desfile, desde 2017 é um cordão de isolamento com pessoas com deficiência. “Esse ano, espera-se ao menos mil pessoas com deficiência à frente do desfile. Já levamos questão indígena, questão cigana, ou seja, percebemos que a Parada também deve abarcar outras pautas.”

 

Temática 

A cada ano, a organização escolhe um tema que norteará seu desfile. Logo após a prestação de contas da Parada, é chamado um Fórum que acontece desde 2016, nomeado “Que Parada Nós Queremos?”. Ali são reunidas pessoas, movimentos e ideias para definir o tema do próximo ano. São escolhidos os três melhores temas que seguem para votação.

Para 2019, o tema será 50 anos de Stonewall: nossas conquistas, nosso orgulho de ser LGBT+. Ao longo da história, a humanidade aprendeu que as conquistas e os progressos são acompanhados por derrotas e retrocessos. Foi assim que movimentos por liberdade nasceram, guerras surgiram e direitos foram estabelecidos. Neste ano, comemoramos os 50 anos da Revolta de Stonewall, um exemplo de que vitórias podem surgir a partir do sofrimento e da repressão. Na madrugada de 28 de junho de 1969, um grupo de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) frequentadoras de um bar, o Stonewall Inn, em Nova York, nos Estados Unidos, resolveram, após uma batida policial, dar um basta às agressões, preconceitos, humilhações e perseguições que sofriam. Foram três dias de resistência e enfrentamento com a polícia. Naquela época, ter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo era ilegal em todos os estados americanos.

“Para reforçar o nosso compromisso com a luta por mais respeito, aceitação, tolerância e direitos, a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP) resgata nossa história e convida todas as pessoas e movimentos que compartilham dos mesmos valores para celebrar a 23ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, no dia 23 de junho de 2019, com ritmo de alegria, desconstrução e muita lacração, o tema “50 anos de Stonewall: nossas conquistas, nosso orgulho de ser LGBT+”. Esse tema reforça a ideia de que pessoas LGBT+ possuem representação social, política, cultural e jamais se renderão ao autoritarismo, ao conservadorismo, nem às ameaças de retrocessos de conquistas, arduamente alcançadas nesses 40 anos de história do movimento LGBT no Brasil e 50 anos pelo mundo. Sim, isso é um grande motivo de orgulho!”

 

Muito Além do Desfile

Além do desfile, estão programados uma série de eventos que complementam a Parada e que fazem alusão ao mês de junho, conhecido como mês do orgulho LGBT em muitos países pelo mundo.

Acompanhe quais serão os outros eventos que acontecem:

 

3ª Cãominhada da Diversidade

Dia: 20 de Junho

Hora: 10h

Local: Praça da República

 

19ª Feira Cultural da LGBT – Dia 20 de Junho 

Dia: 20 de Junho

Hora: 10h

Local:  Praça da República

 

19º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade – Dia 20 de junho 

Dia: 21 de Junho

Hora: 19h

Local: Audio Casa de Shows

 

ParadaSP Fest

Dia: 21

Hora: 22h

Local: Audio Casa de Shows

 

Miss Brasil Gay Universo 

Dia: 22 de Junho

Hora: 10h

Local: Clube Esperia

 

 

Dica de Entrevista

 

Comunicação APOGLBT

Fabrício Viana – Assessoria de Comunicação 

E-mail: imprensa@paradasp.org.br

 

Mais informações

Evento no Facebook 

Site da Parada 

 

jessica@agenciaaids.com.br