As unidades do Senac Santos e São Miguel Paulista receberam, nesta semana, as primeiras rodas de conversa sobre prevenção, direitos humanos e os desafios da quarta década da epidemia de aids. Profissionais de saúde e pessoas vivendo com HIV participaram do debate, contaram suas histórias e tiram todas as dúvidas dos alunos. Alguns quiseram saber com detalhes o que é prevenção combinada, outros ficaram curiosos sobre como é viver com HIV/aids e enfrentar diariamente o preconceito. A atividade faz parte de uma série que palestras que a Agência Aids e o Senac São Paulo estão realizando em novembro, em alusão ao Dia Mundial de Luta Contra Aids, comemorado em 1º de

O ciclo de palestras começou na terça-feira (5), no Senac Santos. Os alunos puderam conhecer histórias de ativistas que lutam contra a aids na baixada santista, como da cantora Maria Sil e do militante pelos direitos humanos Beto Volpe. A sexóloga Regiane Garcia, do Instituto Cultural Barong também esteve na unidade para esclarecer todas as dúvidas sobre saúde sexual. “Quando falamos de HIV, temos que ter a clareza que falamos sobre corpos que se relacionam e expressam desejos e sexualidade”, disse Maria Sil.

Beto Volpe contou aos alunos sua trajetória na luta contra a aids, com momentos de dor e superação. “Cheguei a tomar 33 comprimidos, hoje tomo 3 remédios.  Viver com HIV me trouxe desafios e méritos. Aprendi muito depois da infecção. Sou uma pessoa que elabora mais as situações e desafios que vida apresenta e a vida me apresentou muitos desafios.”

A jornalista Roseli Tardelli, diretora da Agência Aids e mediadora do debate lembrou que “o HIV tem o mérito de trazer à tona a discussão sobre a orientação sexual de todos nós e a existência de preconceitos. Não existe julgamento com outras patologias como diabetes, cardiopatias, doenças ósseas. Por ser uma infecção sexualmente transmissível, existe um julgamento moral por parte de pessoas que colocam o preconceito a frente de tudo.”

Regiane Garcia concordou. “Não podemos falar de prevenção e  HIV sem falarmos também sobre sexualidade. Espaços de conversa como este que vivemos aqui ajudam a reorganizar o pensamento e diminuir preconceitos e discriminação”.

São Miguel Paulista

Na quarta-feira (6), foi a vez dos alunos do Senac São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, participarem do debate, que neste ano tem como tema ‘Outras palavras, encarando o desafio, mais informações, menos infecções pelo HIV’. Estiveram na unidade a professora em sexualidade pela PUC São Paulo, Edna Kahalle e a ativista Gugãa Taylor.

Gugãa nasceu com HIV e contou para os alunos que descobriu a doença aos 14 anos, quando foi impedida por uma professora de educação física de participar das aulas. “Sofri preconceito e tive que aprender a lidar com isso. Cresci tomando remédios e a minha família dizia que eu tinha gastrite e sinusite, não tinha ideia do que era a aids, descobri de uma forma que não é legal. Encontrei apoio em outras pessoas que também vivem com HIV e hoje trabalho no acolhimento de jovens recém diagnosticados.”

A especialista Edna Kahalle confirmou que o preconceito afasta as pessoas dos serviços de saúde. “Há pessoas que ainda pensam que aids é doença de puta, veado, usuários de drogas. Não é, todos somos vulneráveis. ”

Edna contou ainda que há avanços na prevenção e no tratamento. “Hoje temos PEP, PrEP, testagem, preservativos e medicamentos potentes. É possível evitar a infecção mesmo depois de uma relação sem camisinha. ”

Na próxima semana os alunos do Senac São José do Rio Preto, Marília e Santo André vão receber um time de profissionais para esclarecer todas das dúvidas. Em breve os debates estarão disponíveis em vídeo na TV Agência Aids. Confira a programação:

 

  • Senac Marília – dia 12/11, às 14h – com a participação do jornalista Lucas Bonanno, da psicóloga Lorena Cascallana e do ativista Welton Gabriel;

 

  • Senac São José do Rio Preto – dia 27/11, às 10h – com a presença do jornalista Lucas Bonanno, da psicóloga Lorena Cascallana e do ativista Welton Gabriel;

 

  • Senac Santo André – dia 28/11, às 14h – com a participação da jornalista Roseli Tardelli, da séxologa Regiane Garcia e da ativista Gugãa Thaylor.

 

Redação da Agência de Notícias da Aids

 

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