Milhares de doses contra o Papilomavírus Humano (HPV) estão disponíveis no Rio Grande do Sul. Em todo o estado, mais de 800 mil adolescentes devem se proteger. Mas apenas 47% das meninas e 26% dos meninos realizaram a vacina. Os dados são da Secretaria Estadual da Saúde.

Especialistas acreditam que a baixa procura acontece por medo de efeitos colaterais que, neste caso, podem se manifestar por alergia leve. Outro impasse é a sensação de que a doença é algo distante, já que o público alvo da vacina são meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos de idade.

Metade da população sexualmente ativa no Brasil está infectada pelo HPV. O vírus é responsável por 99% dos casos de câncer de colo de útero – o terceiro mais frequente entre as mulheres.

Em Passo Fundo, na Região Norte do estado, das 14 mil doses previstas, pouco mais de três mil foram aplicadas. Uma procura muito abaixo do esperado segundo os órgãos de saúde.

“É algo que vem acontecendo em relação as vacinas que a gente já vem acompanhando, nós tivemos um trabalho muito grande para conseguir atingir a meta, por exemplo, da campanha da pólio e do sarampo, recentemente. A gente sabe que circulam notícias e as vezes não há um entendimento adequando da importância em especial do HPV”, afirma a secretária de Saúde de Passo Fundo, Carla Beatrice Crivellaro Gonçalves.

A campanha de vacinação começou em março deste ano e, desde setembro, está sendo aplicada a segunda dose – que garante a proteção.

“Há vários tipos, em torno de 150 tipos do vírus, 40 deles são relacionados à ocorrência de câncer. Câncer de colo de útero, de vagina, de pênis, de anus, então a importância dessa vacinação. Porque depois, com a vida sexual ativa, a transmissão não se dá só por relação sexual, ela vai se dar por contato com pele ou mucosa infectadas. Então, além dos tipos de câncer, podem causar outros problemas como verrugas nessas regiões que eu citei. Por isso é imprescindível fazer a vacina”, explica Carla.

A estudante Paula Rosmari de Andrade Barbosa tomou a vacina na escola e fez a segunda dose no posto de saúde. “Eu aconselho a todas a fazerem, quem eu tenho no meu círculo, na minha amizade ao redor, sempre eu aconselho a fazer porque é muito bom, evita de pegar doença e ajuda na saúde”, afirma.

A mãe de Paula, Suzana da Luz de Andrade Barbosa, concorda. “Na verdade, nós fizemos só por causa dessa prevenção, ela era adolescente quando começou essa vacinação, a escola fez a campanha e a gente aderiu para fazer a vacina”, acrescenta.

Fonte: G1