Sábado, 18 de Novembro de 2017

 
 
 


Defesa do SUS e pedidos de união do movimento social marcam abertura do 19º Enong, em NatalDefesa do SUS e pedidos de união do movimento social marcam abertura do 19º Enong, em Natal

12/11/2017 – 02h00

Apelos para que todos se unam na luta contra o desmonte do SUS (Sistema Único de Saúde) e em defesa das pessoas vivendo com HIV/aids no Brasil marcaram a abertura do 19º Encontro Nacional de ONGs, Redes e Movimentos de Luta contra Aids, o Enong, na noite desse sábado (11), em Natal. Os ativistas estão preocupados com o "subfinanciamento" do sistema, que pode colocar em xeque todo o modelo de saúde pública conhecido até então.

"O momento é de resistência e a nossa luta continua sendo pautada na solidariedade, no diálogo e no respeito", disse o professor Veriano Terto, da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids). Coube a ele dar as boas-vindas aos cerca de 200 participantes, vindos de todo o Brasil. "Este é um momento de encontros e reencontros de gerações do movimento social. O Enong também é um espaço de exercício da cidadania. É a voz ativa da sociedade civil em defesa do SUS e dos direitos humanos."

Na mesma linha, a subcoordenadora da Vigilância Epidemiológica do Rio Grande do Norte, Maria de Lima Alves, acrescentou que o desmonte do SUS reflete nos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids. "Queremos uma saúde pública de qualidade, então, conclamamos a todos para que defendam o SUS."

Em 2018, o SUS completa 30 anos e os gastos federais com a saúde passarão a ser corrigidos apenas pela inflação, conforme definido pela Emenda Constitucional 95 – anteriormente conhecida como PEC do Teto.

Entre uma fala e outra os ativistas vaiaram o ministro da Saúde, Ricardo Barros, e gritaram "Fora Barros", "O SUS é nosso, ninguém tira da gente".

Do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, Ivo Brito disse que um dos desafios da saúde é resistir a onda de conservadorismo. "Este espaço é de pessoas que fazem o SUS. A construção da resposta brasileira a epidemia de HIV/aids diz respeito não apenas a bandeira da defesa do SUS, mas que tudo isso possa se traduzir na melhoria da qualidade de vida e na redução da mortalidade das pessoas soropositivas. Temos que caminhar no sentido de uma atenção integral à saúde efetiva."

O coordenador do Programa Estadual de DST/Aids do Rio Grande do Norte, Sérgio Fabiano Cabral, estava bem emocionado na mesa de abertura e disse que é uma honra receber o Enong em Natal. "Não medimos esforços para que este evento tivesse uma boa estrutura. A Articulação Aids do Rio Grande do Norte, responsável pela organização do Enong, até renunciou alguns projetos. Tudo foi construído com parcerias e com a ajuda das três instâncias de governo."

Ainda na noite de abertura, os participantes fizeram um minuto de silêncio em homenagem as pessoas que morreram em decorrência da aids e aos que se infectaram recentemente.

O tema escolhido para o Enong 2017 foi 'Desafios e Retrocessos: onde está a resposta brasileira no enfrentamento a aids?'. Ao logo de quatro dias os participantes vão debater política de financiamento, uma agenda comum do movimento, o cenário sócio-político e o futuro.

A noite terminou com o tradicional jantar de boas-vindas as delegações.

Dica de entrevista

Comissão organizadora

E-mail: secretaria.enong2017@gmail.com

 

Talita Martins, de Natal (talita@agenciaaids.com.br