Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

 
 
 


Erong Sudeste: Redes, movimentos e Fóruns afinam parceria para uma agenda comum na luta contra a aidsErong Sudeste: Redes, movimentos e Fóruns afinam parceria para uma agenda comum na luta contra a aids

11/08/2017 - 17h

A falta de diálogo entre movimentos, redes e fóruns tem enfraquecido a luta contra a aids no Brasil. A conclusão é dos ativistas que participaram na tarde dessa quinta-feira (10), em São Paulo, do debate "Diálogo para uma agenda em comum", no Erong (Encontro Regional de ONGs/Aids) Sudeste. Por quase duas horas, representantes da sociedade civil refletiram sobre o papel deles na luta contra a aids.

"Não vamos conseguir dialogar com outros movimentos enquanto não dialogarmos entre nós. A única coisa que temos em comum é a certeza de lutarmos pelo fim da epidemia de aids", disse o jovem Matheus Emilio, do Foaesp (Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo.

Representando o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, a militante Fabiana de Oliveira criticou a ausência de pessoas vivendo com HIV/aids nesta luta. "Onde estão as pessoas soropositivas, somos tão poucos lutando por todos. É preciso desmistificar a ideia de que a aids está controlada, muitos ainda morrem em decorrência da aids todos os dias. Sem diálogo será impossível avançar.”

A falta de união também incomoda o jovem Carlos Henrique, da Rede São Paulo Positivo. "Se não dermos as mãos, seremos destruídos, vamos nos afogar. Precisamos lutar juntos pelas pautas coletivas e cobrar o nosso direito a saúde plena, o acesso à medicação, temos que construir narrativas não hegemônicas. Às vezes, a melhor defesa é o ataque."

Da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, o jornalista Paulo Giacomini também não acredita em uma agenda comum entre os movimentos sem diálogo. Paulo criticou, por exemplo, a decisão do governo de mudar a nomenclatura ‘pessoa vivendo com HIV/aids (PVHA)’ para ‘pessoa vivendo com HIV (PVHIV)’. "O Departamento decidiu mudar o nome e teve o apoio da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV e das Cidadãs. Nós, da RNP, não vamos deixar o governo tirar a aids de nós. É impossível não lembrar que nos primeiros anos da epidemia só tinha acesso a medicação as pessoas com aids. Não aceitamos a justificativa de que a palavra aids causa estigma."

Paulo disse que só será possível avançar na luta se houver capacitação e se as pessoas se posicionarem politicamente. "São Paulo já está avançando na agenda comum entre os movimentos. Este ano, aconteceu o primeiro encontro da Articulação Paulista da Luta Contra a Aids."

A mudança na nomenclatura também foi criticada por outras pessoas do Erong. O ativista Márcio Villard, do Rio de Janeiro, considera que o Departamento de IST, Aids foi antidemocrático. "Eles deveriam ter feito uma chamada pública e consultado todas as pessoas vivendo com HIV/aids e não meia dúzia de movimentos."

Do Mopaids, Américo Nunes acredita que é preciso pregar humanização no próprio movimento social. "Somos sociedade civil e precisamos levantar a bandeira. Não dá mais para lutar por especificidades, a nossa luta é por prioridades."

Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, também considera que movimento social está fragmentado. "Há pessoas que se vendem por passagens, não somos reféns do governo, o momento é de fortalecimento."

Ao fim do debate os ativistas se comprometeram em dialogar mais entre si. Mais de 100 pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas gerais participam do Erong Sudeste, na capital paulista. A delegação do Espirito Santo não está presente e justificou a ausência por falta de apoio.

Dica de entrevista

Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo)

Tel.: 3334-0704

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)