Sábado, 21 de Outubro de 2017

 
 
 


Estoque crítico de penicilina benzatina em São Paulo preocupa ativistas e governoEstoque crítico de penicilina benzatina em São Paulo preocupa ativistas e governo

11/08/2017 - 15h20

A ameaça de falta da penicilina benzatina no estado de São Paulo é cada vez mais eminente. Atento a isto o Programa Estadual de DST/Aids está se movimentando para garantir que o medicamento, usado no tratamento da sífilis, não falte. Na capital, a falta da penicilina já se faz sentir, foi o que afirmou o diretor da área de apoio técnico do CRT, Alexandre Gonçalves, na manhã dessa quinta-feira (10), durante reunião ordinária do Foaesp (Fórum de ONG/Aids do estado de São Paulo). Segundo ele, existem em estoque 5 milhões de doses da forma cristalina e 1,5 milhão da benzatina.

O técnico foi questionado pelos ativistas sobre os motivos deste desabastecimento e as medidas que estão sendo tomadas para enfrentar o problema. Segundo ele, a busca de estoques do Ministério da Saúde, o aguardo de liberação da Anvisa para o lote vindo da China e a possibilidade de compra direta via Secretaria Estadual de Saúde estão nas alternativas pensadas.

O presidente do Foaesp, Rodrigo Pinheiro, considera que o Brasil é dependente de outro país na elaboração do sal para o medicamento,. "Precisamos ampliar os estudos para fabricação local da matéria-prima, assim, poderemos colocar fim nesta situação." Rodrigo destacou ainda que o baixo preço do medicamento tem desestimulado os laboratórios privados a investir na fabricação. " O compromisso social destas empresas é praticamente inexistente", afirmou.

"Fora Adele"

Outro tema debatido na reunião do Foaesp foi sobre a mobilização pela saída da atual diretora do Departamento de IST/Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken. Rodrigo contou que a manifestação "Fora Adele" está sendo organizada por alguns jovens vivendo com HIV/aids de São Paulo e que este grupo procurou o Fórum e pediu apoio.

O professor Jorge Beloqui, do GIV (Grupo de Incentivo a Vida), destacou a importância de pontuar questões a serem tratadas pelo Departamento de Aids e pelo Ministério da Saúde como: regularização do fornecimento de kits para carga viral, ampliação do acesso a insumos de prevenção, garantia de direitos humanos e outros pontos. Para ele a defesa desta e outras bandeiras é maior do que a personalização em cima de nomes de dirigentes.

A ativista Margarete Preto, do Projeto Bem Me Quer, comentou que pela experiência como representante na Cams, o diálogo se ampliou nesta gestão, inclusive com a inclusão da Anaids na Cnaids, o que ela considera positiva.

Rodrigo Pinheiro também se posicionou afirmando que "não cabe a sociedade civil indicar pessoas, assim como também não cabe personalizar os problemas, temos que exigir perfil comprometido e cobrar soluções para os problemas, independente de quem for o titular."

A plenária decidiu não aderir ao movimento, mas entrará em contato com seus organizadores para saber mais detalhes da inciativa.

Coinfeção

A realidade das coinfecções envolvendo as hepatites virais e a aids também foi tratado na reunião a partir de debates ocorridos recentemente em evento satélite do Congresso da IAS, na França, e de ações já desenvolvidas pelo Projeto Bem me Quer, GIV e Foaesp.

Segundo Jorge Beloqui, a OMS estabeleceu uma meta de erradicação da hepatite C até 2030, com redução de 65% na mortalidade. Ele explicou que atualmente no Brasil existem perto de 3800 pessoas coinfectadas com HIV e hepatite C tratadas, sendo que 78% são no estado de São Paulo. Para ele, este dado mostra que o acesso para o tratamento da hepatite C continua dificultado.

A médica Leda Jamal, do CRT, apresentou dados de coinfecção TB/HIV em São Paulo e suas características sociais. Segundo ela, o estado registrou 5664 casos novos de tuberculose, em 2016, sendo 86,4% realizado exame anti-HIV e 536 diagnosticados como coinfectados (9,5%). Destes, menos de um terço estão em tratamento antirretrovirais. A intersecção com o uso problemático de álcool e outras drogas foi um dos destaques da discussão, exigindo maior sensibilização no acolhimento e tratamento por parte dos profissionais de saúde.

 

Dica de entrevista

Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo)

Tel.: 3334-0704

Liandro Lindner, especial para Agência Aids