Sábado, 18 de Novembro de 2017

 
 
 


"Estamos vivendo o pior momento da sustentação da resposta da aids", afirma Richard Parker na abertura da reunião da Anaids, em São Paulo"Estamos vivendo o pior momento da sustentação da resposta da aids", afirma Richard Parker na abertura da reunião da Anaids, em São Paulo

14/07/2017 - 10h

Foto: Américo Nunes

Iniciou na tarde dessa quinta-feira (13), em São Paulo, a assembleia anual da Anaids (Articulação de Luta contra a Aids), reunindo membros de fóruns, movimentos e de espaço de representação de 15 estados. A abertura teve a participação do professor Richard Parker, presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids), do Rio de Janeiro, que falou sobre o contexto político brasileiro e o impacto na epidemia de aids. Segundo ele, "desde os anos 1980 este é o pior momento que se vive na luta contra a aids no Brasil". Ao analisar o contexto nacional Parker faz a relação com a prolongada crise financeira internacional, de mais de dez anos, que, "continua e não mostra sinais de mudança."

Em relação a prevenção, o professor foi enfático ao afirmar que o Brasil avançou até o início dos anos 2000, superando muitos países, mas "hoje paramos no tempo, ficamos no mantra da camisinha, quase não existem espaços de discussão de como fazer coisas novas na prevenção." Para isto alerta sobre a necessidade de se voltar a uma pedagogia da prevenção, trazendo as pessoas como sujeitos deste processo, e na construção de alternativas.

As provocações resultaram em diversas reações da plenária. O pesquisador Jorge Beloqui, do GIV (Grupo de Incentivo a Vida), chamou a atenção para os níveis de mortalidade por aids no Brasil (12 a 15 mil por ano), e destacou a não existência de uma meta nacional para este item. Moyses Toniolo, da RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids) da Bahia, analisou a desmotivação e o inconformismo que atinge os militantes em suas bases. Tal realidade o faz pensar que "não haverá avanços em curto prazo, especialmente quando se vê a fragmentação do movimento, com ênfase nos personalismos." Já Carla Almeida, do Gapa Rio Grande do Sul, destacou a necessidade de aumento da presença de mulheres em avançar nestes espaços. Ela trouxe uma reflexão sobre a existência de discursos binários e cartesianos e a necessidade de se desconstruir isto e buscar uma identidade do movimento. Para ela, "a falta de presença na mídia se alicerça na invisibilidade da aids e está no descompromisso da gestão e na indiferença da sociedade, é preciso romper isto."

Avaliação em espaços

Na sequência os representantes nos diversos espaços de articulação, fizeram avaliação destes lugares. O primeiro a ser avaliado foi o GT Unaids. Os ativistas Jorge Beloqui e Américo Nunes relataram a participação, levantando pontos discutidos e avaliando criticamente as reuniões. Aspectos importantes como o monitoramento da Carta de Paris, o apoio do Unaids para que se incluam nas metas de saúde outros pontos como a mortalidade e a ampliação do GT como espaço de diálogo entre ativistas, agências e gestores foram alguns pontos levantados.

Também Claudio Pereira, membro da Cnaids, relatou as discussões ocorridas sobre financiamentos da sociedade civil. As articulações neste espaço, sugeriu Moyses Toniolo, deveriam estar sintonizadas com o Conselho Nacional de Saúde que tem poder "inclusive de revisão de portarias." 

O professor Veriano Terto, representante da Anaids na Comissão Nacional de Aids (Cnaids), expôs a argumentação levada a este espaço sobre as formas de financiamento de eventos e ações e o questionamento sobre as participação das agências nestes processos, considerada por ele "muitas vezes radical e dogmática."

A assembléia da Anaids continua nesta sexta-feira (14), no auditório do Sinsprev, quando serão debatidas questões relacionadas aos encontros regionais e nacional da aids e definidos os desafios do movimento na conjuntura de agenda prioritária para o movimento.

 

Saiba mais

Articulação Nacional de Luta contra a Aids se reúne em São Paulo para discutir realidade política e seus reflexos na saúde

 

Dica de entrevista

Tel.: 61 9248-8549 (Thania Arruda)

 

Liandro Lindner, especial para a Agência Aids