Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

 
 
 


Anvisa aprova primeiro teste de farmácia do país para detectar HIVAnvisa aprova primeiro teste de farmácia do país para detectar HIV

18/05/2017 – 11h40

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o primeiro teste de HIV para venda em farmácias do país.

O produto funciona com a coleta de gotas de sangue, de forma semelhante aos testes já existentes para medição de glicose por diabéticos. Chamado de Action, ele deve custar entre R$ 40 e R$ 60 e chegar ao mercado daqui um mês.

Segundo Marco Collovati, CEO da empresa que fabrica os testes, a Orangelife, o teste demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%, índice maior do que os autotestes que usam saliva, disponíveis em outros países.

O resultado aparece na forma de linhas que indicam se há ou não presença do anticorpo do vírus HIV. O teste, porém, só é capaz de identificar o HIV 30 dias depois da possível infecção, tempo que o organismo precisa para produzir anticorpos em níveis detectáveis pelo exame. O resultado leva de 15 a 20 minutos para ficar pronto.

O site da Anvisa afirma que, em caso de resultado negativo, é recomendável que o teste seja repetido 30 dias depois e outra vez depois de mais 30 até completar 120 dias após a primeira exposição. Se o resultado for positivo, a pessoa deve procurar um serviço de saúde do SUS, para confirmação com testes laboratoriais e encaminhamento para o tratamento gratuito adequado, se for necessário.

Repercussão 

Segundo publicado no jornal "Folha de S. Paulo", para o infectologista Artur Timerman, que trabalha com pacientes com HIV há mais de 30 anos, o Brasil precisa, por um lado, aumentar a testagem de HIV –ele estima que existam mais de 500 mil pessoas com o vírus mas sem diagnóstico.

Por outro, ele acredita essa não é a melhor forma de fazê-lo. "Todo exame precisa ser solicitado e interpretado por um médico. Não vai ser o balconista da farmácia que vai orientar o paciente em caso de dúvida ou em caso de resultado positivo", diz a "Folha". "A pessoa precisa saber o que fazer em caso negativo e em caso positivo."

O médico afirma ainda que o diagnóstico rápido do vírus é importante em casos de acidentes ou estupros, mas o uso doméstico dele pode ser perigoso. "Já vi pessoas se suicidarem por resultados falsos-positivos."

Até o momento, testes de HIV eram feitos somente com intermédio de profissionais de saúde em laboratórios, centros de referência e unidades de testagem móvel.

A possibilidade do registro de autoteste para o HIV surgiu em 2015 quando a Anvisa regulou o tema por meio da resolução RDC 52/2015. De acordo com a regra, este tipo de teste deve trazer nas suas instruções de uso a indicação de um canal de comunicação para atendimento dos usuários que funcione 24 horas por dia e o número do Disque Saúde, o 136.

Em 2015, o imunologista e oncologista Drauzio Varella, publicou em sua conta no Youtube um vídeo explicando por que a aprovação, segundo ele, é uma “decisão interessante”.

“Há anos eu defendo que o teste da aids seja vendido na farmácia (...). Tem gente que crítica esse tipo de procedimento, eles dizem que é muito mais sensato você ir a uma unidade de saúde”, disse Varella no vídeo.  “A vantagem de se fazer um teste no anonimato é que hoje, assim que a pessoa descobre que é portadora do vírus, ela tem que começar o tratamento, porque ela vai viver muito mais e em condições muito melhores”, afirmou.

Além de se posicionar a favor da medida, Varella explica a respeito do teste rápido, como funciona e sobre o falso-positivo e resultado negativo: "Se você faz esse teste e deu positivo, você precisa fazer um exame confirmatório. (...) se você faz o teste e deu negativo, não existe falso negativo. Se deu negativo, é negativo e está acabado”. Assista:

 

 

Saiba mais

Distribuição de autoteste por internet e Correios supera meta em Curitiba (PR)

'Revista da Farmácia' traz reportagem sobre impacto da comercialização e distribuição dos autotestes de HIV nas farmácias

França começa a vender autoteste de HIV em farmácias

Projeto-piloto de autoteste em Curitiba supera expectativas dos organizadores. Mais de 400 testes de HIV foram solicitados via internet em um mês

1º DE DEZEMBRO: OMS incentiva países a ampliar difusão dos autotestes de HIV

Polêmico autoteste de HIV tem boa aceitação, anuncia OMS

 

Redação da Agência de Notícias da Aids com informações de agências e "Folha de S. Paulo"