Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

 
 
 


Péssimo desempenho da saúde é problema de gestão, segundo ativistas da aidsPéssimo desempenho da saúde é problema de gestão, segundo ativistas da aids

11/09/2016 - 16h50

Sobre a reportagem da “Folha” que a Agência Aids destaca neste domingo (11) em seu site, “Fila, falta de remédio e plano caro dão à saúde a pior nota”,  ouvimos alguns ativistas da aids em São Paulo.  O jornal procurou mostrar, entrevistando usuários dos serviços da capital, os motivos que dão à saúde a  pior avaliação da população. Os ativistas concordam que o setor está um caos, apontam alguns motivos e sugerem algumas medidas para melhorar o cenário. Veja:

“Não há futuro para a saúde”

Nair Brito, fundadora do MNCP (Movimento Nacional das Cidadãs Positivas): “A saúde está  esse caos porque as pessoas responsáveis por ela não renovam. Não veem o setor na sua plentitude política, ética, preventiva, de forma sustentável.  Não se atualizam a respeito das necessidades da população, de fatores como a chegada de novas populacões, de pacientes que envelhecem, de doenças que surgem. Ou seja, as necessidades vão aumentando e o Brasil continua atrás de tapar buraquinhos aqui e acolá, com um modelo antigo, curativo, sacrificando a população à morte. Isso é perverso para um sistema como o SUS,  criado para proteger a vida. Há um mês, uma cunhada minha morreu enquanto esperava ser chamada para a quimioterapia. Ela fez uma consulta num hospital público, o Santa Marcelina, descobriu o câncer, disseram para esperar ser chamada para a quimio e ela morreu antes disso. É cruel. Não há futuro para a saúde.”

 

“Que se cumpram as promessas”

Américo Nunes Neto, fundador do Instituto Vida Nova Integração Social Educação e Cidadania: “O SUS é nosso plano de saúde e acho lamentável essa situação. É necessário mudanças na gestão. Estamos pagando saúde duas vezes quando recorremos aos serviços privados. Por outro lado, temos médicos fazendo cirurgias desnecessárias para implantação de próteses visando lucros escusos,  conforme denúncias na imprensa.  O sistema de saúde tem de estar  a serviço do povo e não o contrário. Temos médicos despreparados e procedimentos de exames e consultas com muito tempo de espera. As patologias evoluem rapidamente comprometendo muitas vidas. Um absurdo tudo isso. Entra e sai governo e sempre prevalecem as falsas promessas. Que se cumpram as promessas.

 

 

"A atual postura dos governantes tem fragilizado o SUS"

 

José Araújo Lima Filho, presidente do Epah – Espaço de Atenção Humanizada: “A longa fila é um retrato da incompetência governamental nas três esferas: federal, estadual e municipal. Os usuários fazem uma verdadeira via-crucis à procura de especialistas e medicamentos. Existe uma "avaliação" desumana por alguns serviços quando dizem "o remédio é barato e você pode comprar nas farmácias". A atual postura dos governantes tem fragilizado o SUS e desrespeitando os direitos constitucionais e humanos.”

 

 

“Não se investe em formação de médicos”

Silvia Almeida, do GIV (Grupo de Incentivo à Vida) e do MNCP: “O bom funcionamento do SUS, o SUS integral, como está no papel seria a situação ideal. O problema da nossa saúde está  na falta de investimento e na corrupção. Não se investe em formação de médicos, de especialistas. A gente não tem uma estratégia que vise melhorar o atendimento futuro. Os profissionais são mal pagos, não querem ir para as periferias, onde estão as populações que mais precisam de cuidados. No caso da aids, a fragmentação é muito prejudicial. A aids precisa de prevenção. Esperar cinco meses por uma consulta, seja em que caso for, é no mínimo muito desumano.”

 

 

Dicas de entrevistas

Américo Nunes

ividanova@uol.com.br

Nair Brito

britonair@gmail.com

Silvia Almeida

silvinha.almeida11@gmail.com

José Araújo Lima Filho

jaraujo@epah.org.br

 

Redação da Agência de Notícias da Aids