Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

 
 
 


Soropositivos devem estar mais alertas para a prevenção da hepatite C, dizem especialistasSoropositivos devem estar mais alertas para a prevenção da hepatite C, dizem especialistas

01/09/2016 - 19h15

As novas drogas para o tratamento da hepatite C despertam muita esperança em médicos e pacientes. Porém, o custo ainda é uma barreira relevante para que esses medicamentos cheguem aos usuários que já formam uma longa fila de espera no SUS (Sistema Único de Saúde). Em contrapartida, de acordo com especialistas, com o aumento no número de diagnósticos, mais descobertas são feitas sobre as vias de transmissão da doença. 

Para Rosa Alencar, diretora adjunta do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de SP), essas novas informações colaboram para, assim como aconteceu com o HIV, descobrir onde está o maior número de casos de incidência da doença e em que populações intensificar as estratégias e ações de prevenção.

“A transmissão sexual da hepatite C, por exemplo, é um ponto que até pouco tempo era uma interrogação. Hoje, já temos estudos sérios mostrando que há, sim, transmissão pela via sexual e aumento da prevalência da doença por esta forma em homens que fazem sexo com homens soropositivos. Isso traz novos contextos e mecanismos de trabalho”, disse Rosa Alencar, durante a Jornada do Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais B e C, que aconteceu em São Paulo, nesta terça-feira (31).

Embora existam tratamentos eficazes para a hepatite C, que inclusive levam à cura, o paciente não fica imune a uma reinfecção, por isso, a prevenção continua sendo necessária.

Cerca de 13% dos pacientes tratados usuários de drogas ou privados de liberdade se reinfectam pelo vírus. No caso dos coinfectados pelo HIV, o risco é maior, de 21,1%, apontam estudos apresentados por Paulo Abraão, professor afiliado da disciplina de infectologia da Unifesp (Universidade Federal do Estado de Sâo Paulo) e responsável pelo Ambulatório de HIV e Hepatites Virais. “Há casos de pessoas que se reinfectam por outro genótipo ou pelo mesmo. Também tem pacientes que se reinfectam durante um tratamento. A nossa preocupação é que aconteça uma mutação em que o vírus tem resistência ao medicamento. E isso já aconteceu”, disse o médico.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelas hepatites virais. Segundo a OMS, 170 milhões de pessoas já se infectaram pela hepatite C e cerca de 30% dessas apresentaram infecção pelo HIV. No Brasil, o número é de 1,5 milhões de pessoas infectadas, sendo 11% coinfectados pelo HIV.

“Uma pessoa com HIV tem que se preocupar com a infecção pela hepatite C. A hepatite B pode ser prevenida com vacina, mas a C não tem vacina. Os sintomas das hepatites demoram anos para aparecer, mas a doença evolui mais rápido em uma pessoa com HIV”, afirmou Rosa Alencar.

Ela também alertou que os médicos precisam estar atentos para as hepatites quando o paciente está no serviço para tratar o HIV, solicitando testes  e orientando os que não se vacinaram a procurarem o serviço. “Isso é uma recomendação que está nos protocolos e que temos intensificado”.

Todas as pessoas precisam verificar se estão com suas vacinas em dia, pois novas vacinas foram incluídas no calendário nacional. No caso da hepatite B, os soropositivos precisam se vacinar independentemente da idade. “Não é necessário apresentar comprovante, basta a pessoa informar ao profissional de saúde sua sorologia.”

 

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Daiane Bomfim (daiane@agenciaaids.com.br)