Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017

 
 
 


Mopaids diverge de Foaesp e RNP+ sobre construção de programa mínimo para as eleições 2016Mopaids diverge de Foaesp e RNP+ sobre construção de programa mínimo para as eleições 2016

18/08/2016 – 15h40

A campanha eleitoral municipal começou oficialmente nesta terça-feira (16) e ativistas já entregaram a candidatos, com a intenção de  comprometê-los,  um programa mínimo contra a aids na cidade de São Paulo. O documento, elaborado pelo Foaesp (Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo) e pela RNP+ (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids em São Paulo), já foi assinado por Bruno Covas, deputado federal que concorre a vice na chapa do empresário João Doria (PSDB) e o pelo vereador Andrea Matarazzo (PSD), vice da senadora Marta Suplicy (PMDB) na disputa. A construção deste programa de governo foi um dos assuntos discutidos na reunião do Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids) desta quarta-feira (17). Os ativistas não criticaram o documento em si, mas a falta de parceria para a construção do mesmo.

“O Foaesp e o senhor Paulo Giacomini desrespeitaram este espaço de controle social que existe há mais de 15 anos na cidade de São Paulo. Mensalmente, discutimos aqui os desafios e os problemas da aids na cidade. Também temos denunciado situações gravíssimas no município e até violações de direitos humanos. É uma vergonha o Mopaids não ter sido ouvido na construção deste documento", desabafou o ativista José Araújo Lima, um dos coordenadores do Mopaids.  "Foi falta de ética."

Araújo contou aos participantes da reunião que só soube da carta quando a mesma já estava circulando nas redes sociais. "O Mopaids já tinha se programado para escrever o documento. Criamos um grupo de trabalho, mas, às vezes, a importância do marketing pessoal sobrepõe o bem coletivo. Lamento tremendamente que ninguém tenha defendido este espaço como um local para ser ouvido e discutir a política pública de aids na cidade. Estamos falando de 50% da epidemia do estado."

Araújo continua: “Eu não quero criar uma crítica ao Pinheiro [Rodrigo] ou ao Giacomini. Minha crítica é ao conjunto da obra. Posso garantir que este espaço nunca desrespeitou o Fórum, isso não é comprometimento político, estamos falando de política de aids, de políticas públicas. Mesmo tendo membros do Foaesp aqui e membros do Mopaids lá, não conseguimos um intercâmbio."

Na mesma linha, o militante Américo Nunes, coordenador do Mopaids e do Instituto Vida Nova, também se disse incomodado com a falta de parceria. "Fiquei surpreso quando o Foaesp socializou essa carta. Na reunião do Fórum, na última sexta-feira (12), eu disse para o Rodrigo que foi lamentável o Mopaids não ter sido chamado para construção do documento. A proposta era somar esforços e não subtrair. Rodrigo gritou, disse que o Fórum não é avisado sobre nada que acontece no Mopaids."

Assim como Araújo e Américo, o também ativista José Carlos Veloso, da Rede de Controle da Tuberculose, considerou que Fórum e da RNP+ faltaram com a ética e o respeito. "Poxa vida, se vamos elaborar uma carta para São Paulo, por que não chamar o Mopaids?", questionou. "Quando li o documento na rede social pensei assim: estava neste grupo de trabalho, lançaram a carta e nem me consultaram", disse Veloso. Ele conta que, só depois, percebeu que aquele não era o documento que o Mopaids planejou e se programou para fazer.

Os militantes decidiram cancelar o grupo de trabalho da carta base para as eleições em 2016 e não vão criar um novo documento.           

 

Outro lado                                                                 

A Agência de Notícias da Aids ouviu os ativistas Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, e Paulo Giacomini, da RNP+.

"Quem eles pensam que iam recebê-los? Não adianta fazer uma carta e não ter para quem entregar. Não dá para ter incidência política sem fazer nada", argumentou Paulo Giacomini.

"O Mopaids não chama a RNP+ para nada, então, não há como estabelecer parcerias. Além disso, o controle social não é exclusividade de um único movimento. Sempre fazemos parcerias com o Fórum porque essa é a oportunidade de mantermos contatos com o movimento social na cidade e no interior do estado. Nosso programa mínimo já foi entregue para os dois maiores partidos do Brasil, o PSDB e o PMDB", finalizou Paulo.

O presidente do Foaesp, Rodrigo Pinheiro, contou que este documento foi construído como carta base e está disponível para todo movimento social no Brasil. "Assim como fez o Ceará, cada um pode ajustar o documento com base na realidade local e comprometer os candidatos em sua região", explicou.

Na cidade de São Paulo, segundo Rodrigo, os próprios candidatos têm procurado o Foaesp. "Somos bem articulados, então, eles nos pediram para enviar algumas demandas e é o que estamos fazendo.”

Com relação ao Mopaids, Rodrigo garante que não há aproximação também por parte deles. "Eles agendaram uma reunião com o conselho gestor do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids), equipamento estadual, e não nos chamaram. De qualquer forma, eles têm o livre arbítrio para construir um novo documento."

Rodrigo fez questão de acrescentar que tanto a RPN+ como o Foaesp estão sediados no município de São Paulo. "Estamos empenhados em levar a carta para todos os candidatos , mas há outros locais no estado onde o Fórum também estará junto com as organizações locais, como Araraquara e Ribeirão Preto.”

Dicas de entrevista

Mopaids

Tel.: (11) 5084-0255

Foaesp

Tel.: (11) 3331-1284

RNP+

E-mail: paulo.giacomini@gmail.com

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)