Sábado, 21 de Outubro de 2017

 
 
 


Centro de Testagem e Aconselhamento: muito além da testagemCentro de Testagem e Aconselhamento: muito além da testagem

Por Karina Wolffenbuttel*

03/02/2017 - A ambiciosa meta de atingir o 90/90/90, do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), aponta a necessidade de avançarmos nas estratégias de prevenção, acesso ao diagnóstico e tratamento. Espera-se com essa meta que, até 2020, 90% de todas as pessoas vivendo com HIV saberão que têm o vírus, 90% de todas as pessoas com infecção pelo HIV diagnosticada receberão terapia antirretroviral ininterruptamente, e 90% de todas as pessoas recebendo terapia antirretroviral terão supressão viral. Com isso, poderíamos vislumbrar, em 2030, o fim da epidemia de aids no mundo.

O Plano Estadual de Ampliação do Diagnóstico Precoce do HIV no estado de São Paulo vem ao encontro desta meta, que prevê a redução do diagnóstico tardio no estado e aumento da proporção de pessoas que fizeram o teste de aids pelo menos uma vez na vida.

Neste contexto, os 130 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) do estado de São Paulo são essenciais para enfrentar e possibilitar o fim da epidemia de aids no Brasil.  Desde a década de 1980, os CTA oferecem testagem gratuita, confidencial e anônima, com base na educação em saúde e do aconselhamento como abordagens de redução de risco e vulnerabilidade.

Os CTA são serviços de prevenção aberto ao atendimento da população geral, com foco no cuidado prioritário de pessoas mais expostas à infecção pelo HIV, outras DST e às hepatites virais. Essa modalidade de serviço de saúde tem por objetivo favorecer o acesso das pessoas mais atingidas pela aids (homossexuais masculinos, profissionais do sexo e usuários de drogas aos exames) aos insumos e demais estratégias de prevenção disponíveis. Em articulação com os demais serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), os CTA são considerados serviços estratégicos para promoção da equidade no acesso ao diagnóstico e ao aconselhamento.
  
Os CTA são os únicos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) que têm como vocação cuidar da saúde de segmentos sociais mais expostos a infecção pelo HIV; possuem uma organização e equipe técnica que privilegiam a promoção e a prevenção da aids, sem preterir ações assistenciais; e são reconhecidos como referência para a realização de testes diagnósticos e para a obtenção de insumos de prevenção pelos segmentos sociais mais expostos ao HIV.

A partir de 2003, o processo de descentralização da testagem e aconselhamento para o HIV na atenção básica intensificou-se, possibilitando maior cobertura e acessibilidade. No caso das hepatites virais, a inclusão da testagem sorológica nos CTA se deu a partir de 2004, o que implicou a readequação destes e a reestruturação da rede de referência, a capacitação dos profissionais sobre os modos de transmissão e medidas de controle e a interpretação de marcadores sorológicos. 

A necessidade de descentralizar e ampliar o acesso, aliada à introdução de novas tecnologias de testagem, a exemplo do teste rápido, estabelecem mudanças estratégicas na rotina do CTA como indutor e retaguarda desse processo no sistema de saúde, assim como executor e formador no uso de novas tecnologias e como espaço de acolhimento e prevenção, principalmente para segmentos populacionais mais vulneráveis. Nesse sentido, o CTA exerce papel central na efetivação do princípio da equidade no SUS, incluindo a particularidade de grupos prioritários – homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, usuários de álcool e outras drogas e travestis, entre outros – na construção de um sistema de saúde universal.

Desde 2016, para cumprir seu papel no enfrentamento da epidemia, os CTA estão sendo convidados a ampliarem seu escopo de atuação. O Departamento Nacional IST/aids e Hepatites Virais estruturou um grupo assessor para discutir estas questões. Para além do atendimento da demanda espontânea por testagem de HIV, sífilis, hepatites B e C e das ações intra e extramuros de prevenção às IST/aids e hepatites virais, estes serviços tem alto potencial de ampliação de resolubilidade considerando-se o rol de tecnologias atualmente disponíveis, usualmente divulgadas sob o termo "prevenção combinada" às IST/aids e hepatites virais.

No estado de São Paulo, os CTA  estão organizados  para atender às necessidades de saúde dos segmentos sociais mais expostos, possibilitar o pleno acesso ao conjunto dos métodos preventivos que oferecem algum grau de proteção contra a infecção pelo HIV, DST e Hepatites Virais, apoiar as pessoas não infectadas para que permaneçam nessa condição e as infectadas para que tenham acesso oportuno aos serviços de tratamento.

* Karina Wolffenbuttel é psicóloga e integra a Gerência de Assistência a Saúde no Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo.

Clique aqui e encontre um CTA do estado de São Paulo. 

Referências

Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das DST/Aids e Hepatites Virais "Diretrizes para organização e funcionamento dos CTA do Brasil",   Brasília, 2010

Secretaria de Estado da Saúde, Coordenadoria de Controle de Doenças, Coordenação Estadual de DST AIDS de São Paulo, Guia Básico de Prevenção Combinada, São Paulo, 2016; acessado dia 03 de fevereiro de 2017 no link http://www.saude.sp.gov.br/resources/crt/publicacoes/publicacoes-download/guiabasicodeprevencaocombinada.pdf

Brasília, Diário Oficial da União, Portaria conjunta Nº1 , de 6 de janeiro de 2013, Altera na tabela de serviços especializados no sistema de cadastro nacional de estabelecimentos de saúde (SCNES), o serviço 106 Serviço de Atenção às DST/HIV/AIDS e institui o regulamento de Serviços de Atenção às DST/HIV/AIDS que define suas modalidades, classificação, organização das estruturas e o funcionamento.

Dica de entrevista

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